Ó, vamo lá.
O vídeo do Gullar é só trampolim. O prato principal é o paragrafão.
Na entrevista tem umas perguntas meio velhas, mas que nunca deixam de ser pertinentes. Pode-se viver de arte, hoje? Em que medida a criação artística é ou não é trabalho? E uma melhor: qual é o papel do poeta na sociedade?
Mas acho bacana focar aqui: quando o poeta se envolve na divulgação/comercialização de suas criações, há uma perda na essência de sua poesia? A que tipo de mudanças o poeta submete suas criações? Até onde isso é benéfico/nocivo para sua obra?
E aí a gente expande pra ter bastante relevância: a divulgação, entre escritores, por meio dos blogs faz com que haja constante discussão da obra de um autor. Dessa forma, o processo autoral sofre grandes alterações, e possivelmente vão marcar a cara dessa geração compositora de escritos. A primeira mudança, penso, surge quando o processo migra do lápis para o computador, onde há muito mais dinâmica na edição, onde não há expressão na grafia individual (já que há uniformização tipológica), entre outras idiossincrasias do objeto. Da internet, e da popularização dos blogs, surge essa ágora estética e poética. Até que ponto esse processo é saudável para o artista? Até que ponto ele tem controle sobre a individualidade de sua obra (uma vez que se submete às opiniões, deixando-se modelar pelos outros artistas)? Até aonde ele confunde um bom texto com um texto que caiu nas graças de seu público? E até onde ele cria uma noção de evolução ligada aos textos que agradam mais os seus leitores?
Penso que são questões pertinentes para essa geração de escritores.
Vamo nessa, nesse blog lindo.