A virtualização, segundo Pierre Levy, não é desrealização, mas desterritorialização. A sua definição nos leva à idéia do virtual como algo diferente da simples supressão do real e do atual (sendo o real a espacialidade e o atual o agora desse real), na direção do que ele chama um processo de transformação de um modo de ser num outro, ou ainda uma transformação inversa (Levy, 1998, p. 12). No capítulo intitulado O que é virtualização?, Levy desmistifica a idéia de que o real e o virtual compõem uma oposição pacífica, ou simétrica. Ele busca na etimologia latina da palavra a sua conexão com potência e força. Aí, falando em termos conceituais, explica que o virtual não se opõe ao real, mas ao atual, (retomando Deleuze) e exemplifica que a árvore está virtualmente presente na semente (Levy, 1998, p. 15).
Levy refina sua conceituação do virtual citando Deleuze, em Différence et répétition, um texto onde se distingue o virtual do possível. Este último já estaria todo construído, mas permanece no limbo e se realizará sem que nada mude em sua natureza; o primeiro não se opõe ao real, mas ao atual, e não estaria acabado porém em um processo de resolução chamado de atualização.
Trecho de Teoria e prática do hipertexto literário: análise da semiose do vídeo poema, de Luciano Rodrigues Lima – professor da UFBA e UFEB - fonte
Trecho de Teoria e prática do hipertexto literário: análise da semiose do vídeo poema, de Luciano Rodrigues Lima – professor da UFBA e UFEB - fonte