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11.12.08

Soltem a caroline!

Deu pano pra manga, a classe pseudo artística, pseudo intelectual e pseudo tô fazendo isso sem interesse nenhum se pseudo mobiliza!
A Caroline é o mais novo cachorro morre em exposição de arte.

Ela deve ser solta sim. Juridicamente falando: ela não tem nenhum caráter de detento perigoso para esperar julgamento em cárcere. Trata-se de política e um pouco de charme.

A Caroline é da cidade de uma grande amiga minha, Alvorada-RS. Tà em São Paulo pirando e pichando. Jóia né? Oi-anti-sistema.

Acredito que o papel que a caroline e os outros pichadores cumpriram é jóia: colocar em questão a Bienal. Que já dizia um dos seus antigos organizadores, Mário Pedrosa, a Bienal perdeu o sentido de ser a muito tempo. É uma feira de arte qualquer. Que tem critérios arbitrários e de interesse pessoal na escolha das obras.

Partindo daí, uma cidadã jovenzinha reconhcer na Bienal a ilegitimidade no que a própria Bienal se diz pretender, e resolver ir lá fazer seu protesto, mesmo que com sujeira, mas com dano zero, isso é fato e deve ser resssaltado, é legítimo. E no máximo, deveriam dar a turma que pichou uma escovinha e mandar limpar. Daí a ficar presa quarenta dias. É desmando e repressão besta.

Arrepia macacada! tenho pouquíssimo a dizer, só quero ver a mina solta. Aqui nessa matéria da FOLHA tem mais: "Me identifico com o vazio", diz jovem presa por picha Bienal

5.11.08

Breve revisão teórica sobre o virtual (isso vai virar um metablog)

A virtualização, segundo Pierre Levy, não é desrealização, mas desterritorialização. A sua definição nos leva à idéia do virtual como algo diferente da simples supressão do real e do atual (sendo o real a espacialidade e o atual o agora desse real), na direção do que ele chama um processo de transformação de um modo de ser num outro, ou ainda uma transformação inversa (Levy, 1998, p. 12). No capítulo intitulado O que é virtualização?, Levy desmistifica a idéia de que o real e o virtual compõem uma oposição pacífica, ou simétrica. Ele busca na etimologia latina da palavra a sua conexão com potência e força. Aí, falando em termos conceituais, explica que o virtual não se opõe ao real, mas ao atual, (retomando Deleuze) e exemplifica que a árvore está virtualmente presente na semente (Levy, 1998, p. 15).
Levy refina sua conceituação do virtual citando Deleuze, em Différence et répétition, um texto onde se distingue o virtual do possível. Este último já estaria todo construído, mas permanece no limbo e se realizará sem que nada mude em sua natureza; o primeiro não se opõe ao real, mas ao atual, e não estaria acabado porém em um processo de resolução chamado de atualização.

Trecho de Teoria e prática do hipertexto literário: análise da semiose do vídeo poema, de Luciano Rodrigues Lima – professor da UFBA e UFEB -
fonte

1.11.08

Cardapião, três conto, até ao meio-dia:

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Zygmunt Bauman (fala): - Stefan Morawski, o grande filosófo da arte polonês, fez o exaustivo inventário das características que uniram todos os grupos, sob outros aspectos inteiramente distintos, da vanguarda artística: todos estavam imbuídos de espírito pioneiro, todos olhavam fixamente para a condição presente das artes com nojo e aversão, todos eram críticos a propósito do papel atualmente atribuído às artes na sociedade, todos zombavam do passado e ridicularizavam os cânones que este acalentava, todos teorizavam a respeito de seus próprios recursos, atribuindo um sentido histórico mais profundo a suas realizações artísticas; todos seguiram o modelo dos movimentos revolucionários, preferiram agir coletivamente, criaram e coordenaram irmandades semelhantes a seitas, discutiram ardentemente programas comuns e escreveram manifestos; todos olharam para além do reino das artes propriamente dito, encarando as artes e os artistas como tropas avançadas do exército do progresso, precursoras coletivas dos tempos ainda por vir, esquemas preliminares do modelo universal de amanhã - e, às vezes, um aríete destinado a pulverizar as barreiras empilhadas no caminho da história.
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(Na mesa ao lado, o outro): - Quanto foi?
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Sergismundo Baurman: - Com a coca e a foça, quatro e cinquenta. (consigo mesmo, pra não perder a clientela): "No meu caminho, no momento, é só uma pilha de engradado..."
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rodIOBRitto Rodiabrirtodo Rodaborto rod é de Rodoviária - não deu pra completar, o roncônibus partiu com a palavra. rodagosto.
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(Rod Britto é poeta. Publicou Barriga d'água, Que se entre outros - gratoporlembrar@gmail.com)

30.10.08

Os efeitos do blog no processo criativo do artista

http://www.youtube.com/watch?v=-9Wa8fvDaag

Ó, vamo lá.
O vídeo do Gullar é só trampolim. O prato principal é o paragrafão.

Na entrevista tem umas perguntas meio velhas, mas que nunca deixam de ser pertinentes. Pode-se viver de arte, hoje? Em que medida a criação artística é ou não é trabalho? E uma melhor: qual é o papel do poeta na sociedade?

Mas acho bacana focar aqui: quando o poeta se envolve na divulgação/comercialização de suas criações, há uma perda na essência de sua poesia? A que tipo de mudanças o poeta submete suas criações? Até onde isso é benéfico/nocivo para sua obra?

E aí a gente expande pra ter bastante relevância: a divulgação, entre escritores, por meio dos blogs faz com que haja constante discussão da obra de um autor. Dessa forma, o processo autoral sofre grandes alterações, e possivelmente vão marcar a cara dessa geração compositora de escritos. A primeira mudança, penso, surge quando o processo migra do lápis para o computador, onde há muito mais dinâmica na edição, onde não há expressão na grafia individual (já que há uniformização tipológica), entre outras idiossincrasias do objeto. Da internet, e da popularização dos blogs, surge essa ágora estética e poética. Até que ponto esse processo é saudável para o artista? Até que ponto ele tem controle sobre a individualidade de sua obra (uma vez que se submete às opiniões, deixando-se modelar pelos outros artistas)? Até aonde ele confunde um bom texto com um texto que caiu nas graças de seu público? E até onde ele cria uma noção de evolução ligada aos textos que agradam mais os seus leitores?

Penso que são questões pertinentes para essa geração de escritores.
Vamo nessa, nesse blog lindo.