25.5.10

Barcarola nuvem

................................................................................Fotografia de Herbert List


Hoje é quase dezembro*
e não chove nem há sol
o lusco-fusco se põe entre os dias.

Hoje é quase dezemdro
e o seu barco de madeira já não vejo.

As árvores de natal já não fazem sentido.

As ameixas reluzem em sumo sobre a mesa
e o sabor é uma memória que lateja.

Três vezes em guerra
a se debater
a empurrar
e a falar pros teus ouvidos

espirais coloridas

tulipas de algodão.

E o que poderás entender do que tenho visto?
Riscos de antemão.
Luzes incessantes percorrendo pautas musicais.

Segredos costurados nos travesseiros.

E o medo

e o mijo nas calças
ao ver os fantasmas do porão
e não havia porão em tua casa
e não havia porão em minha-tua-nossas casas.

e o eco te sobe pelas pernas
e o que verás?

Teus são teus olhos
e o que chamas de vermelho
para um outro talvez não seja.

Há uma mesma tarde no tempo

distinta para cada um de nós.


*verso roubado de algum poema que não me recordo

3 comentários:

Isaac Frederico disse...

Sinto um desespero kafkiano lendo esses versos, ainda que o poema nada de kafkiano tenha.
Mijo nas calcas, de ser relegado a solidao tipica do sentado-em-frente-a-tv.

Heyk disse...

Sol de quase dezembro é caetano veloso, homem:

sem lenço e sem documento

Heyk disse...

puta merda, esse poema é um absurdo, menino!

que maravilha!

não me encantou de cara, mas me pegou, me chamando, pelo meio, até que tava já de boca aberta no fim.

maravilha!