21.4.10

Erva Rasteira

Oi pessoal, sou o novo camarada de vocês no Maná Zinabre.
Queria agradecer com um sorriso nos lábios a oportunidade de estar escrevendo aqui, na parceria. Coloquialmente "O cerco, a vida, o circo, silêncio, um medo anormal e um sorriso nos lábios" estão presentes no fruir de nossas sombras. Jogando poeira nos olhos do impossível, escrevendo pedacinhos de um porvir, seja onde for, estaremos. Estaremos? Só para me apresentar;
Um abraço de urso amestrado com açucar na mão.


Desejo o outro

Desejo seu cotidiano
Sua comida, seu trabalho
Sua angústia e alegria

O cansaço de asfalto dos motoristas
Os sorrisos de porcelana das aeromoças
As mãos encardidas do mecânico
As roupas manchadas do pintor

Desejo o outro
Sinto-me um pouco destes livros
que caminham pelas calçadas

Rostos que falam sem dizer palavras

Anseio por essas peles de papel
Por essa gente misteriosa
Que nada é, senão o inadiável

Penso por eles

Por essa multidão de alguéns
Pela sabedoria do porvir

Ando por eles

Às nuvens de chuva
Às estrelas que anunciam a manhã ensolarada

Anseio pelo outro
Num congestionamento

À luz de algum sol

Arthus Fochi

5 comentários:

isaac disse...

bem vindo arthus, ja se apresentando com um biscoito de antropologia bem apetitoso, coisas que fazem o mundo rodar.
um abraco !

Rod disse...

Pegando um naco no lanche do Isaac, imagine!: Prazer em conhecer Arthus, nessa coisa literária e de opinião, exigindo refresco (amostra grátis de simpatia) e refrexão(2L). Rod, boavindando, outro solto nu maná.

Guto Leite disse...

Salve, Arthus, que belo poema! Um pouco diferente do nosso caro poeta marujo Isaac, mas não muito diferente, pensei na Ode Triunfal, mas de tom menos estridente e mais zeloso, algo melancólico com esse outro também. Grande abraço!

Victor Meira disse...

Coisa linda isso, Arthus! Desejar pelo outro, que não pensa por você, e que dá pala sem falar - dá pelas carrancas metamorfas. O desejo por isso tudo é curioso, sabe? É um reflexo curioso.

Bem vindo à roda, mano!

fernando mendes rodrigues disse...

salve, arthus!

acho bacana isso... penso qua a poesia é mesmo feita de mil contradições que se contradizem tanto que já não há contradição nenhuma... territorializar/desterritorializar/reterritorializar... um outro código mesmo... naquela viagem que comecei a te contar na casa da liv tem uma coisa que é meio central pra mim... o mircea eliade diz que a poesia (nos moldes) nasceu do relato dos psicopompos que voltavam do êxtase... realmente a experiência de uma alteridade... coisa meio disforme... depois a gente pode pirar mais nissp... por isso acho bastante pertinente a contradição entre esse teu poema de dissolução na alteridade e a proposta crítica do blog... são coisas que se enriquecem... sei lá... acho que é uma relação de velhos amigos que se amam mas que não se entendem tão bem... porque a crítica não se dissolve tanto, enfim, se apega mais à sacrosanta objetividade... eu aqui, você ali... mas é importante que se tenha ela em vista... poeta sem crítica corre o risco de cair no buraco negro do umbigo... pois se perde o jogo entre alteridade e identidade... a crítica tb é exercício de alteridade... um dos bons... e isso já virou uma loucura... besos