25.9.09

Cantiga pra ninar tubarões

Sua embriaguez derrama delírios
Delira palavra.

A mão receia
Anseia.

O lobo feroz se solta na madrugada.

Rosna.

Canino à mostra.

Agarra decidida
Põe coleira de dentes.

O suspeito se confirma.

Aceita seca investida
Planta-flor-carnívora
Que pede mais e não sacia.

Do livro Fragmentos do imaginário

4 comentários:

isaac disse...

clássico diálogo do "fragmentos", é a narração não de um embate mas do embate.

Lou disse...

gosto disso de aceita seca
e de que pede mais e não sacia.

gostar disso é sadomasoquista.

Priscila Milanez disse...

bonito!

isaac disse...

curiosamente, quando primeiro postado, em abril de 2008 no blog Presença, este poema não trazia estrofes, sendo um corpo único.
o focinho do poema rosna, animalesco.