7.4.09

Coisa?

Não sei se ouso de mais ou de menos, mas inauguro minhas postangens neste espaço sensacional com um chorinho. Para ouvi-lo, só clicar aqui, mas gostaria também de propor a discussão de sua letra, que segue abaixo. Arte e luta, parceiros. Sigamos!

COISA
Guto Leite & Daniel Coelho

Quem sabe um dia ela não vira alguma coisa?
Alguma coisa, coisa minha, ela não vira.
Uma coisinha, que ninguém sabe das coisas,
Que seja aquela, seja essa coisa minha.

Você não viu, se não amava aquela coisa,
Aquela coisa bem cuidada, aquelazinha,
E vinha toda bonitinha, toda coisa,
A pele justa protegida na blusinha.

Ai minha boca passeando pela coisa,
E pela coisa não passeia, se desliza,
Pra não pisar, não desmanchar, ferir a coisa,
E ter de novo, quando a coisa oficializa.

Eu sei que é sempre tão confusa toda a coisa,
É tão confusa, que essa coisa se complica.
Mas quem irá cobrar de alguém que viu a coisa
Que vá viver sem essa coisa todo dia?

É que nós dois já planejamos tanta coisa,
É tanta coisa planejada, que não vira.
Nossas viagens, nossos filhos, nossas coisas
Vão misturando numa coisa indefinida.

Até que enfim nós dividimos nossas coisas,
E toda coisa não é dela, nem é minha.
E falta força, falta água, falta coisa,
Que nós brigamos hoje por qualquer coisinha.

Os anos passam sobre a gente, sobre as coisas,
A gente acha que qualquer coisa é bem-vinda.
Então tratamos sentimentos como coisa
Guardando em nós alguma coisa, à revelia.

Sem perceber estamos velhos, quanta coisa,
Daí, corremos pra botar a coisa em dia.
Mas nos alcança a coisa que termina a vida,
E finalmente somos coisa, a coisa fria.

10 comentários:

Benny Franklin disse...

Ok! Muito bom, Guto!

Victor Meira disse...

Bacana, Guto, acho a letra simpática, bonitinha, comportada, cheia de versos lapidados com esmero. Ainda não ouvi o choro, mas volto depois pra ouvir.

Abraço!

Tulio Malaspina disse...

Fala guto!
Fui direto atrás da musica... incrível cara... lindo demais o som... onde arrumo o som de vocês pra ter aqui na biblioteca?
grande abraço!!

Priscila Milanez disse...

Muito boa essa coisa toda! Parabéns pelas músicas!Nota-se a sensibilidade e a qualidade nas melodias e letras. Em breve meu myspace estará no ar, então, passo no seu pra divulgar.
Bons ventos na sua trajetória musical...

Guto Leite disse...

Salve, queridos, valeu pela resposta! Tenho bastante fé neste trabalho e as palavras me reanimam muito... Túlio, se tiver um myspace, pode baixar de lá mesmo. Se não, me escreve que te envio o som, claro, num prazer imenso. Priscila, já está pré-adicionada, claro. Sigamos em arte, caríssimos!

william galdino disse...

Bem vindo Guto.
Não ouvi a canção ainda, fiquei apenas com o ritmo das palavras.
Me traz aos "ouvidos" algo do poetinha vinicius de moraes.
abraço e até.

tomazmusso disse...

Guto, parabéns pela poesia e pela música! são boas as duas versões. e a voz do cantor é maravilhosa, é vc? me lembrou um pouco, pela suavidade e vivacidade arretada, a voz do cara do banda de pau e corda... emfim, gostei muito e bem vindo ao espaço!

Victor Meira disse...

Yes! O chorinho é um barato, Guto. Cabei de ouvir. Gosto das estrofes que começam cantadas no contratempo - dá uma dinâmica gostosa. A linha do contra-baixo é bem bacana também, ela canta junto com o vocal. É ótimo isso.

Legal, mano, gostei.

Chammé disse...

Guto,
A música tá em cima maluco, não tem o que falar. Tá no melhor estado da música, aquele que enquanto contemplamos já não estamos mais ali no mesmo lugar.
Fiquei só acompanhando a narrativa da coisa, que absolutamente amorfa, molda tudo.
Bem vindo, rapeize. E, por favor, torne a ousar esse formato mais vezes.

Heyk Pimenta disse...

engraçado, quantos músicas será que são uma epopéia inteira, quer dizer uma saga?

Né?

Parece que acontece mais na música, uma ideia de vem fresca e quando vemos queremos contar o germinar e morte de uma flor, sempre.

Estranho isso. Temos parece uma necessidade do narrar um ciclo inteiro.

Enfim, guto, achei inteligente o poema. me cansou um pouco o excesso da coisa palavra nele. Mas vá lá, era a graça do texto.

Boto fé, viu meu filho. Olha, obrigado e bemvindo à casa. nem tinha ocnsersado ainda com você sobre isso.

Valeu mano veio!