4.10.07

um quase poema branco

espaço para contorcer; o dentro que é vazio; o vórtice do forceps; revira; o eco da forma crua; lançado poema flecha; encontra nona vértebra; não toca; o lado de fora Urra; com poema ventania; tornado bolha transcende; inflado; o cadáver vivo levita; por poro verso ácido;o esqueleto antigo; escorre; pelo orifício fálico; emaranhado lírico; rede raiz risco rende; e fende; o chão em arco no vácuo; gira no ar casca oca; inexiste agora o ser; físico; sem boca não há mais verbo; cego sente o relevo; amorfo cor não importa; tão tanto; nasceu o poema branco

11 comentários:

Viviane de Sales disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Viviane de Sales disse...

Abaixo a poesia colorida!!! Muito bom, hein Heyk! Cada vez que termino um poema tenho a péssima sensação de que o objetivo dos poetas é apenas despir a poesia e descobrir, ou DESCOLORIR ao máximo, os versos... hehe
Eu quero tudo em preto e branco, ou então que tudo seja CINZA CINZA CINZA!!!!

Zé(d's) Dead, Baby disse...

AMÉM! AMÉM!

Sol na Garganta do Futuro disse...

tapa.

Anônimo disse...

me anonimei. agora sou um poeta em branco

hahá

Vini disse...

putz.

Vou catar pra mim
hehehe

Carina Bentlin disse...

ahaa! Boa!! É bom ler em alto e bom tom isso! Fica bem falado, mais do que lido!

Anônimo disse...

Legal, mas só uma dúvida: "o rifício fálico" é o orifício da uretra masculina, já que falo se refere exclusivamente ao órgão sexual masculino, certo? Então se trata de um ser masculino abortando? Ainda bem que é um aborto poético. Ou seria licença poética?
Mas é um poema orgânico, bem do jeito que eu gosto.

Heyk disse...

adoro anônimos,
mas o primeiro anômino fui eu.
bom, falo mesmo da uretra. Mas não se trata de um aborto de outro ser e sim de si mesmo. É a construção, mas do que aborto de um ser poético. E concordo com a carina. Esse poema é um poema pra falar, como todos os meus. Ele é um octassílabo, já que ninguém percebeu, e de três em três versos tem um verso trissílabo. Ele tem forma. Só não quis mostrar aí qual era. Se descobre falando. Até o título é octassílabo. Além de outras alusões ao tao te king, ou tao tai king. E outras coisas de importância scundária como o próprio fazer poético e a barreira da racionalidade e poesia. E outra, é poema organismo mesmo.

Pra quem acha que poeta contemporâneo só escreve coisa vomitada e sem pensar. Tá aí 'um quase poema branco'

Victor Meira disse...

Heyk, esse é um dos teus que eu mais gosto. Gosto das figuras, e a métrica deu uma beleza sem igual para a sonoridade. Acho que fui um dos primeiros a lê-lo, e quando o fiz, percebi que ele era dividinho de quatro em quatro versos, e que o último verso mantinha um padrão dissílabo. Mas falhava na tentativa de ser octossílabo.

Veja bem, os únicos versos octossílabos são esses:

- es/PA/ço PA/ra/ con/tor/CER
- o/ ca/DÁ/ver/ VI/vo/ le/VI/

A contagem silábica do verso termina na última tônica, e não na última sílaba. Assim, o poema inteiro tá com oito sílabas, mas não oito sílabas poéticas.

As aliterações praticadas em alguns trechos me agradam demais também. cadaVer ViVo leVita, oriFício Fálico, Rede Raiz Risco Rende, CasCa oCa... Muito rico sonoramente, muito belo em silêncio.

Entretanto, isso é tudo besteira, Heyk. E veja, só comentei a gramática estrutural do poema porque você mesmo provocou logo aqui em cima.

Essas besteirinhas não prejudicam em nada o poema. Ele é inteligente, e de boas figuras, percebe-se o trabalho a mais que o autor teve nele, e eu valorizo bastante na posição de leitor e poeta-irmão. Talvez tenha sido um pouquinho tímido ao se encolher todo num emaranhado. Gostaria de vê-lo de peito aberto ao vento, respirando (e confesso que o fiz, num bloco de notas, com todo o respeito).

É sim um poema-quase-branco. Há som sem ter boca. O som que os olhos ouvem, a música linda do ver. A poesia que nasce à inexistência, e esse não-ser grita e vibra em existência pura como que essência. É branco, mas o relevo lhe lança as sombras que guiam o olhar. Daí o quase-branquismo.

Muito belo, Heyk.
Meu sempre abraço.

Welington de Sousa disse...

"Um quase poema branco " as cores não importam mesmo !!! quando as palavras transparecem alvas ( risos )