9.6.10

Mana Zinabre e a Comunidade Virtual

Essa é a retomada da discussão que o Tulião tocou mês passado, no post Por que somos um coletivo? Além disso, há praticamente um mês eu fui ao Intercom Sudeste defender um artigo sobre a presença de comunidades virtuais em blogs. Reparem o crime.

Na verdade, a pergunta-chave do texto dele (por que não criamos nada juntos?) eu mal vou responder, prefiro deixar ela aqui e aberta. Mas o interessante é que o que se chamou de coletivo orgânico cabe muito bem na ideia de comunidade. Apesar da aplicação virtual, vale ainda a noção clássica de uma comunidade como uma família, aldeia, tribo, onde os interagentes têm contato íntimo e direto, convivem, se conhecem. Isso seria oposto a ideia de sociedade, como nas cidades, ou nos prédios modernos, onde você até reconhece seu vizinho, mas sabe pouco sobre ele (exatamente o jeito que o Tulião revelou se sentir).

O Maná, enquanto website, seria então o espaço de convivência. Na pesquisa que eu fiz, peguei para estudar o Poema Dia, um blog que inspirou estruturalmente o Maná (coletivo de autores dividido pelos dias do mês). Pelo que avaliei, o formato é perfeito para abrigar uma comunidade virtual – incita ao encontro das mesmas pessoas ao longo do tempo, que possuem espaços para expressão e diálogo, além da delimitação identitária de cada participante. O formato contribui, mas o quente é saber como se sentem os interagentes, os zinabrenses. Fiquei pensando nisso esses dias ao me reparar, e ver como ando com dificuldades para completar meus próprios posts, e tampouco ler/discutir/viver meus vizinhos.

Pra quem quiser pensar sobre isso, separei uns conceitos usados para identificar o que era um sentimento comunitário (curiosidade na bibliografia ou no estudo, só me pedir). Vale a autoanálise:

- Familiarização: saber quem está ao seu redor. O formato do Maná contribui para isso, com um blogroll dedicado só a descrever os participantes. Mas a pergunta é: “eu conheço essas pessoas?”

- Estabilidade: o contato tem que ser mantido ao longo do tempo, mas isso não precisa ser por email ou msn, pode ser no próprio espaço para comentários. O quanto você vê seu vizinho?

- Interatividade: esse é vital – é o quanto você dialoga com os outros. Daí vem à tona a questão do Túlio: dialogamos, ou somos só a vitrine de nós mesmos?

- Pertencimento: o fatality. “Eu me sinto parte do Maná Zinabre?”

5 comentários:

isaac disse...

Po podecrer... Me chamou atencao o fato de rolar essa "batalha" (e deve rolar com todos) da dificuldade com os proprios posts e em se envolver com os posts dos outros.
Talvez seja a velha questao do tempo, nao sei... Talvez sejamos apenas egoistas demais, querendo a apreciacao dos colegas da nossa comunidade, mas estando pouco disponiveis pra apreciar os colegas.

Eh um assunto que vale uma discussao nossa, e ja foi discutido antes, mas a coisa nao se esgotou, nao.
Como fazermos pra crescer, enquanto comunidade virtual?
Ou ja esta rolando perfeito?

Mesmo tendo um sentimento de incompletude e as vezes frustracao, dentro do ambito do Mana, mesmo assim fico muito feliz com o que temos, a oportunidade de ver novos trabalhos, mesmo que seja ao ritmo que "da", sendo egoista ou nao, no engajamento que der.

Porra mano, tou no aeroporto do Bahrein escrevendo esta merda, esperando voo pra Tehran, e isso significa que na medida do possivel, na medida do que da e tambem da preguica, eu entro no nosso blog e me satisfaco em algum grau com o trabalho dos colegas.

Discutamos mais, mas que ja nos sintemos parabenizados pelo que acho um bom trabalho!
Abracos a todos!

Victor Meira disse...

Massa, Chamméco!
Vou dar um check por item.

Familiarização: fiquei pensando aqui... não conheço vários dos membros pessoalmente, mas existe diálogo com muitos deles - uns por uma característica dialógica na própria obra, outros pela convivência nos meios digitais. Mas confesso que tenho vontade de conhecer melhor o Isaac (que fez um comentário lindo aqui em cima), o William, e os estreantes Karina e Arthus. É vontade, haha.

Estabilidade: curioso né? Acho que rola sim uma participação mais ativa de um quinhão dos membros do blog. E acho que deveria haver muito mais. O grupo existe pelo interessa nesse diálogo, nessa troca, afinal. Acho até que isso é muito mais poderoso do que uma obra criada em conjunto, caso a mesma não seja discutida devidamente (#pegaessatulião).

Interatividade: Diálogo-diálogo mesmo aqui nos comentários tem pouco, né? Às vezes até rola, mas a maioria das vezes é o "comentário" mesmo que prevalece, num tom meio monológico.

Pertencimento: Ah bem, eu me sinto, sabe? Eh... É.

Lindo post, Chammezito!

Guto Leite disse...

Essa é uma discussão daquelas mesmo, haja vista as perguntas do Victor e as respostas do poeta marujo. Acho que há algum diálogo sim nos comentários e leituras das postagens uns dos outros, por outro lado, acho mais etérea a sensação de pertencimento (mas estou falando por mim, não sei como os outros se sentem - outro indício). Talvez um encontro anual do Maná, para integrantes e convidados, ajudasse a aumentar esse pertencimento e a organizar as movimentções. Enfim... Apesar de novo na área, fico feliz com o site, com a repercussão, sou bastante satisfeito com o espaço! Opinemos!

Caco Pontes disse...

a busca é intensa, contínua e sobretudo, complexa. as conversas diretas são importantes e a possibilidade de conectar pessoalmente por oras - pra trocar, agir, realizar - também valem um tanto quanto. na rua (e vida)os cruzamentos se dão cotidianamente, com possiveis envolvimentos um pouco mais profundos. e a carruagem segue, seja como for, partindo de quem está almejando alcançar um ideal.

Arthus disse...

em relação a familiarização, com o tempo vou lendo e me identificando com as escritas, a forma e as temáticas de cada, levando em consideração que isto pode ser algo errante.

A estabilidade, do ponto de vista do que foi abordado, está ligado diretamente á familiarização...

mas afinal, não está tudo ligado???

Você se vê pertencente quando sente a familiriadade daquilo que te remete a estabilidade fruto da interatividade!!

Interatividade como influencia da escrita de um na do outro.
Familiaridade é ler o outro e talvez identificar antes de ler no final o nome. Contato estamos travando, temos de nos sentir pertencentes do momento em que agimos e trocamos, afinal a virtualidade não ferve o sangue como um sarau.

abraços!