12.3.09

Pena


Éramos nós,
e mais nada,
nada além,
aquém,
só aquilo que éramos.

Fomos expulsos.
Nós, aquilo que éramos.
O que queríamos ser.
O que dizíamos,
as belas palavras.

Passaram-se os dias,
caíram as pétalas,
foi-se o perfume.

Criamos espinhos,
criamos mentiras,
criamos rotinas.
Críamos,
mas não mais.

Atamo-nos,
demos nas pontas, nós.
Ficamos sozinhos
na cama, enorme,
enormes,
e sós.

(Vinícius Perenha, Rituais de ver e olhar, 2003)

4 comentários:

Edson Costa disse...

Como sempre, vocês arrebentam! Não gosto de comentar textos em poesia, pois a subjetividade destes é o que eu mais adoro, mas não tenho como deixar de exaltar a veracidade e certeza sensível e tragicamente humanas aplicadas na obra!
Parabéns!

http://acadamica.blogspot.com/
http://acadamica-series.blogspot.com/

Lírica disse...

Belíssimo.

Caco Pontes disse...

a carta da morte.
ou transforma em outro nível de relação ou dói na víscera e vira poema belo e intenso (pelo menos é que resta).

"o amor suporta a dor" (!?)

Heyk Pimenta disse...

eita, vinicião. parabéns mano!

enormes e sós, salvou tudo.