10.3.08

A Menina que Nasceu pra Ser Fantasma






castidade é certeza rara.
desejo inventado.
nuvens pretas músicas.

sangue som fogo.
armar
é tocar um instrumento.

fez silêncio. fez-me rir na praia.
fez-me em versos quasecores.
é música e o resto fez canção.

rasgado sagrado queimado.
deus sem filho e sem mundo.

vento negro
sob a pele parda arrepia.
diamantepernas cerradas.

anjos safados vindos do prazer.

abre a perna pro destino torto!
rio de mistério e de janeiro.
é preta.
não nasceu aqui.

brotou sem lembranças e chora sem motivo.
é negra.
nasceu pra ser fantasma.

(Fabricio Noronha, livro "Sangue Som Fogo")

assista mais vídeos do grupo em http://br.youtube.com/solnagarganta


7 comentários:

Victor Meira disse...

Bacana a poesia. Fico feliz porque o conteúdo me atrai mais do que o formato.

Abrações pro Fabrício e pro Sol.

isaac disse...

podecrer, o conteúdo é um retrato original do grande poder transformador... "vento sob a pele", belas imagens.

Heyk Pimenta disse...

bom, isso me arrebenta muito, então não tem como ser racional pra julgar, não.

Fantástico.

É antigo isso, é?

Sol na Garganta do Futuro disse...

foi gravado em dezembro de 2004. É trecho de uma música maior.

que bom que gostaram.

curiosidade: foi um verso desse poema que deu título ao meu livro "Sangue Som Fogo".

mais vídeo do Sol em http://br.youtube.com/solnagarganta

bração!

Priscila Milanez disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Priscila Milanez disse...

Há poucos dias achei escondido por entre as páginas de um livro do Quintana (que pertence a uma amiga)outras páginas intituladas "Coleção Trogolíria",contendo textos deste moço aí, o Fabrício, e mais dois meninos, que não me lembro o nome agora. Este postado aqui estava contido nessas referidas páginas.
Gosto de textos que leio como se estivesse engolindo-os. Este aqui é um destes, que me fazem o ler e reler com esta sensação... a cada frase, mais um pedaço.

william disse...

"Abre a perna pro destino torto', so por estes versos o poema-cançao ja tem razao de ser, mas vai alem, e o casamento entre a palavra derramada e a hipnose sonora sao um tiro certeiro.