16.3.08

Amarelo

Vê-se de longe que Ciço não tem idéias. Não vê nem valor nisso. Apesar disso, cria. Cria pela lógica, por um sistema absolutamente não intuitivo, todo razão. E é um puta dum criador. Não entende a estética senão pela lógica, mas é incrível, ninguém duvida.

A rua estará vazia e Ciço não vai resistir o diálogo. Chega finalmente e se senta cruzando as pernas a alguns metros do semáforo. É por isso que Ciço não dorme. Passa todas as madrugadas conversando com o semáforo num solitário cruzamento paulista. Considera-o íntegro, ponderado, sensato, ético e, apesar de um pouco dogmático, absurdamente razoavel. Ambos se apreciam, Ciço e o semáforo. Hoje o papo foi sobre as igualdades entre as esferas, as bolas e os círculos, especialmente os laranjas.

De longe dá pra ver as olheiras. Ciço é um sistema. Nem sabe o que é sensibilidade ou intuição. Inclusive, diga-se de passagem, namora duas mulheres lindas. E cria como ninguém jamais criou. Jamais denomina suas criações de idéias. Ninguém sabe ao certo se ele idealiza o conceito de idéia, ou se acha que é um atalho de preguiçosos - ele não transparece. Vai saber.

E Ciço não conta pra ninguém sobre o semáforo. Só sei porque eu sou o narrador.

3 comentários:

Lírica disse...

Tá. Ciço é um sistema. Isso é metafórico? Se não, quem seriam suas 2 namoradas?
A idéia da conversa com o semáforo é sensacioanal!
Consola-me que memso os pouco ou não intuitivos possam criar.
Mas ciço é um computador... ou um programa? help!!!!!!!!!!!!!!

Leon Prado... disse...

Cara.. extremamente tocante !
muito bom !
continue.. estamos construindo um exelente material !!

Heyk Pimenta disse...

entao a coisa do ciço é qualquer um.

o fato das duas namoradas é o mesmo que cabe às outras informações: Sendo um sistema o ciço entra na lógica da maximização de vantagens, ampla aplicação do conhecimento instrumental, aí ter mais de uma se possível 14 namoradas serviria pra suprir as necessidades multíplas que existem em qualquer cadáver vivo.

O ciço é normal.

um técnico em informática.
um poeta matémático.
um economista
um antropólogo que sobe a favela de terno
e infinitas alusões à aplicação de fórmulas para vida.

morte ao ciço!