11.10.07

Das desventuras intra-uterinas

Santa harpia, não agüento mais, tá insuportável. Vou explicar desde o início.

Bom, aqui é bem quentinho e aconchegante. É escuro e um pouquinho apertado também, mas é gostoso e eu tenho tudo que eu preciso. Tenho comida e não tenho muita ocupação. Aliás, só preciso crescer, mas isso faço sem me esforçar.

Ontem tive uma descoberta assombrosa que me tem atormentado desde então. Descobri que isso aqui é um ovo. Há um tempo atrás eu não tinha noção de onde estava, mas já faz alguns dias que, de algum modo, descobri que era uma espécie de cápsula. Se era ovo, útero ou qualquer outra coisa, realmente não sabia. Mas descobri ontem: é um ovo.

Como eu descobri? Conto. Estava eu a crescer, quando justo na manhã de ontem eu ouvi um barulho de rachadura e um alvoroço sem precedentes ao redor. Pô, daí ficou na cara que era um irmãozinho meu nascendo. Aí é que tá: o diabo do passarinho saiu do ovo dele ontem e desde então não para de piar e se sacudir. Não tenho mais paz nem silencio. Meu soninho matinal já era, e meu índice de stress só aumenta. Daí já viu: perdi consideravelmente meu apetite e meu crescimento diminuiu de ritmo. Porra, até humor foi pro sac--crec-

?

-crrrrrrec---crec-creeeeec--

O passarinho nasceu, virou pro lado e matou seu irmão com setenta e quatro bicadas na região do crânio. Quando foi julgado, alegou ter nascido com o pé esquerdo e foi absolvido imediatamente.

10 comentários:

Livia disse...

Como Sartre diz:
"O inferno são os outros".
Mas é só dessa maneira que nos descobrimos de verdade, encarando o outro de frente.
Gostei de seu conto por causa disso, vc encara o outro e não sente remórcio por ter sido agressivo e julgado por causa disso.

Carina Bentlin disse...

É um continho mimado, mimoso no começo.
Tenho galinha, pato, codorna, pássaros fazem ninhos aqui nas árvores. Fiquei a imaginar o crec-crec dos ovinhos de cada um deles.
É isso, mimosidade, cortada depois com as 74 bicadas violentas e o julgamento do passarinho-réu-recém-nascido.
Mas o conto veio tão singelo até certo ponto, que torci o nariz para o final....


Une accolade garçon!

Zé(d's) Dead, Baby disse...

anti-clímax uma ova!

antes de o pássaro nascer ele já tava puto! a atmosfera de revolta já havia se constituido...

Heyk disse...

bom, o que vejo é que esse victor é tão sacana que consegue ater a produção dele para o blog excluvisamente voltada pra vivência interna do próprio blog. Será possível que vc é tão tribal assim? " Aqui eu só faço assim!" Ou isso te embebeda, e só sai isso, ou seja, a parte mais importante do seu processo é o vivido aqui dentro? Ou melhor, vc tá de sacanagem ocupando espaço e falando besteira, só pra ver a reação da macacada?

abraço.

Victor Meira disse...

Heyk, o conto foi escrito em fevereiro desse ano.

Abraço ae cabrón.

Victor Meira disse...

E de verdade, o texto nåo pretende nenhuma semelhança com o Maná Zinabre.

Larga a mão de ser mané e desagradavel, viu muleque?

Cara sem jeito...

Gilson Junior disse...

e dibão.

Valeu pelos lugio. Amocê.

Carina Bentlin disse...

heyk, que comentário é este? Deixo aqui o meu repúdio à ele.

equívoco OCO.

Lyly AnnA =] disse...

Nossa! Que louco... Eu agi como a história a alguns dias atrás. E fui considerada Grossa e Ignorante... Mas posso falar a verdade? Adorei ter podido ser, pelo menos por um tempo curto, "Grossa e Ignorante", mas viva! Com sentimentos e coração.

Parace que foi escrito pra mim esse texto... Vou deixar um link de vocês no meu blog pra ler sempre que possível.

Um abraço!

Heyk disse...

mas, gente, onde vcs viram problema nesse post? Faço perguntas e afirmaçoes sobre o que vi. Que exagero. Re-li agora o que postei e não estranhei. Só achei que ele tava produzindo em função do blog. E isso é problema onde? Que coisa maluca, a outra põe até mocão de repúdio... Eu hein.

Não achei que fui desagradável. Caramba, eu acho que a gente tem que deixar comentário de voz aqui. Pra não ser mal interpretados.

Mas não esquentem, a minha intenção foi longe de sacanear.

Me desculpem os que agredi sem querer. Bjocas sensuais.