29.9.07

texto + vídeo

- Mais um general foi enterrado. O último general foi enterrado.
- Podemos passar por aqui? Não, está proibido.
- Aproximem-se, escravos! – e os escravos se aproximam.

- Somos todos incorruptíveis, não é mesmo?
Transportamos sem queixa o nosso fardo... nosso destino é obedecer mais um ídolo...

Aí eu nasci... me deram um nome... me ensinaram uma língua... me ensinaram do amor. E aí estou aqui amando. Amando. Amando.

O vencedor faz a história dos vencidos.
Ninguém sabe quem vai pegar em armas.

O professor não decidiu se vai pegar em armas.
Meus pais não vão pegar em armas. Meu tio acha que arma é coisa de gente sem inteligência. Ele acredita no trabalho. No progresso com o trabalho.

Por todo lado: homens se afogando.

Como eu ia dizendo... eu nasci... cresci... e me deram noção da barbaridade. E descobri mais tarde que realmente meus pais não pegaram em armas. Nenhum parente foi exilado, acusado, torturado.

A tortura acabou no Brasil. A tortura é a pior coisa que existe de todas as coisas que existem. Nenhum parente distante foi torturado.

De quem depende a continuação deste domínio? Onde está o filósofo, o advogado, o cavalo de batalha? E o herói? Quem vai sair em defesa da liberdade do homem? Nas ruas ao pé do ouvido ordens são dispersas. De quem são esses olhos que me fitam? De agora em diante, é minha voz. De agora em diante, é minha voz que domina.

Nasci em 1984 e não tenho nada a ver com isso.


FABRICIO

***

Assista ao vídeo-clipe "Cabra Cega" do Sol na Garganta do Futuro, recém lançado. Quase exclusivo para Maná Zinabre.

12 comentários:

Hervan Rossi disse...

gostei do texto. bom saber do blog e da participação dos meninos do Sol.

Lia Noronha & Silvio Spersivo disse...

Maravilhoso...adorei!!!
Abraços mil!!!

Vinicius Fabio disse...

estréia

Heyk disse...

bravo, hermanos. Pô, eu fiquei feliz!

Ora, bem vindos!

A casa é nossa!

Pô, eu não conectava esse texto à cabra-cega. E ainda pra melhorar tem o filme cabra-cega, cujo contexto é esse e bingo. Que legal, gente. Pô! Eu me agrado com esses moço. hahá!

Victor Meira disse...

Me desagrada de coração. Devo ter deixado cair em alguma parte, ou tô desprepardo contextualmente.

Fabricio disse...

Deixado cair o que?

Heyk disse...

fala mano, o que te desagrda?
a música? a resolu~çao do vídeo? gosta mais de holywood? que hay, hermano?
Tem que falar, vc mete o pau e não se explica. Tá parecendo que tá só querendo é chutar o castelinho das crianças brincando na praia.

Heyk disse...

bom, fabricio, não tinha lido o texto ainda. Interpreto um saudosismo e culpismo aí. Sei lá. Acho que tem muita coisa de divã de aodlescente, muita coisa de colocar o problema no passado, mas não falando do passado. O olhar pra trás e dizer: putz a ditadura era ruim mesmo, é reificar aquela coisa de: hoje tudo é ruim, mas pelo menos se tem liberdade, foi um ganho da democracia. Mentira. Liberdade nenhuma. Quem tinha liberdade na época continua tendo hoje. E quem não tinha ainda rebola pra virar as contas. Aí concordo com o desfecho: agora sou eu, sai de cima! E achei o texto bom demais, como já achei os outros, mas esse é bom de verdade mesmo.

Victor Meira disse...

Realmente, peço desculpas pelo comentário covarde. Li o texto umas boas 10 vezes, e o ruim dele gritava pra mim. Daí a gente fica querendo cortar o óbvio, como se dar uma pontada, uma cutucada - como eu fiz - fosse fazer o cara refletir nas entrelinhas do texto dele e achar o podre da obra por si mesmo.

Tolice. Fui covarde mesmo. É que tenho ainda mais ojeriza da preguiça que da covardia. Na covardia você ainda pode gerar uma reflexão pro autor sensato. Na preguiça você diz a sua impressão sobre a obra, a impessão apressada, e não a síntese lógica e razoável que toda obra de arte merece.

Meu grito de descontentamento já foi sussurrado pelo Heyk aqui em cima. A opnião é bastante par. Também acho enormemente clichê e adolescente. Parecem ecos da mente de um neófito em sarais. E a crítica ao vídeo é a mesma. É bastante claro o fato de que, musicalmente, não há nada nem de bom, nem de novo. Dae o texto vem pincelado de boas frases, mas bastante descarrilado e desnecessariamente prolixo.

Aí vem o Heyk cheio da babaquice dele e cutuca: "gosta mais de holywood?"... Sabe Heyk, ess tipo de comentário deve afetar teus iguais ae, ou sei lá, mas é incabível com qualquer um desse nosso circulô, irmão. Incomoda e atrapalha pra burro... Mas tudo bem, se foi pra provocar, tem licensa.

O que eu tenho a dizer aos postantes ae do novo integrante da família Zinabrenta é que eu fico feliz com esse novo formato por aqui na revista - não só vídeo, mas contos também - e espero que as postagens que estão por vir me agradem à medida que eu for conhecendo melhor a proposta e o conteúdo de vocês.

Um abraço afetuoso e sincero.

Fabricio disse...

Uma coisa, Victor, eu lhe garanto de antemão, jamais avaliaria texto dessa maneira. Nem de ninguém, dentro e fora dessa blog. Achei que aqui fosse lugar de experimento, de ineditismo, de frescor. Por isso, não lancei um texto pronto, acabado, revisado, sem divã. Muito menos me preocupei (aí é uma coisa de que não me importo mesmo) de esconder os clichês ou a adolescência das entrelinhas – até porque não sabia do patrulhamento mala-sem-alça que tinha nesse blog.

Acho que são tênues os limites. Tenho 23 anos e nem tão distante da adolescência e um tanto imerso em clichês. Ao que parece, você seja ainda mais jovem. Será que não é mais bonito a gente largar a postura opiniúda e conversar das coisas. Quando o Heik aponta o debate para se discutir liberdade, herança da ditatura (coisas que o texto suscita) vem você esbravejar o desagrado do seu coração. Para se debater precisamos TAMBÉM do coração. E só a gente precisa – cada um do seu.

Bicho, vamos deixar o entorno e debruçar sobre o texto (se isso te interessa)...

A última linha revela a idade do interlocutor. Revelando que ele nasceu no último ano da ditadura, que ele tem pouco mais de 20 anos. Que é um adolescente!? As opiniões dele são truncadas. Delirantes. Fragmentadas. Pouco claras, as vezes muito diretas. E algumas vezes fica na citação, no intertexto. É ingênuo achar que é preciso um herói para sair em “defesa da liberdade do homem”. É bobinho e clichê achar que a “tortura acabou no Brasil”. Ou que não se tem “nada a ver com isso” por ter nascido há pouco.

É clichê do texto. É o clichê de quem começa, timidamente, a remontar uma história recente que é sempre falada superficialmente – que vem da forma evasiva da esquerda inteligeeente. Acho que o valor do texto está justamente na franqueza dele. Na falta de maquiagem de forma ou em não-querer esconder os dramas do interlocutor. Se sente medo, mostra medo. Se é bobinho, fala bobagem. Se esconde alguma coisa, delira. E o texto acaba e o seu coração dói.

E o vídeo e a música... são por si só.

Victor Meira disse...

A diferença é essa, Fabrício. No que você viu valor, eu vi o podre.

"Se sente medo, mostra medo. Se é bobinho, fala bobagem. Se esconde alguma coisa, delira"

Reconheço o valor desse recurso, mas, por puro gosto, prefiro o texto planejado, traçado, de metáforas e figuras bem trabalhadas, com devaneios e argumentos bem conectados.

Minha crítica tá nisso.

Mas não julgo melhor. É o que me agrada. (É bom deixar esse tipo de coisa clara, já que tem causado vários desentendimentos. Pra mim é claro que se eu digo "isso é ruim", minha frase não constitua uma verdade universal, mas uma opnião minha, já que o locutor da opnião SOU EU).

E pô, eu não me incomodo nem um pouco com o patrulhamento-mala-sem-alça. Acho bacana e construtivo.

Um beijo, seu Fabrício.

Heyk disse...

bom, pra mim assunto encerrado.