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25.9.10

Modelato em segundo plano

Dos dedos e do barro
surge uma cabeça.

Rechaço de assopro.

O ar é grosso

a crina
o crivo
e o escorço.

O par de peitos conversa ranhura.

Coxas de alimentar rebentos
.............volume certo para o repouso.

Cordão trançado.

O desejo se faz do tamanho da fome.

Do tornozelo
até subir ao fosso.

Lírica
canta um anseio de vôo

que a leve
calmamente
............para o cais de um outro porto.

do livro Fragmentos do Imaginário

25.8.10

Da série Grafitos

......................................................................... Técnica mista sobre papel, 2OO9.

26.7.10

Brisa

...................................................................Aquarela e nanquim s/ papel, 2009.

A ponta do carvão arranha o papel em branco.
Madeira queimada desenhando em atrito.

Esboço de rosto em perfil
Batizado com sombra de verão.
.
Sol cru
Flor de cacto
Ou
Ipanema colorida de realidade photoshop
Com suas ondas desnudando seios

Perfeita visão do paraíso
.
Do outro lado do asfalto
Cipó seco
.
E dama do lotação
.
Te arrastando avenida adentro
Pro seu sagrado inferninho de cada dia.
.
Do livro Fragmentos do imaginário.

25.6.10

Hemisférios

.........................................................................................Da série grafitos, aquarela, 2009.

Me aproximo de mim
......a rua e
o sol vibram nos meus passos.

Sinto me como um que a tudo abraçaria.

Lua branca de verão

vontade incontrolável de dançar
até que as pernas peçam descanso.

De volta ao carrossel
....que me tonteia os sentidos
paro e sigo
o corpo permanece no giro
e os olhos turvos

....de todas as cores que se somam até o branco.

Me agarro numa beirada de sorriso.
....Já não estou lá, já não estou aqui.
Tudo se move

e vagam as memórias em vôos astronáuticos.

do livro Fragmentos do imaginário

25.5.10

Barcarola nuvem

................................................................................Fotografia de Herbert List


Hoje é quase dezembro*
e não chove nem há sol
o lusco-fusco se põe entre os dias.

Hoje é quase dezemdro
e o seu barco de madeira já não vejo.

As árvores de natal já não fazem sentido.

As ameixas reluzem em sumo sobre a mesa
e o sabor é uma memória que lateja.

Três vezes em guerra
a se debater
a empurrar
e a falar pros teus ouvidos

espirais coloridas

tulipas de algodão.

E o que poderás entender do que tenho visto?
Riscos de antemão.
Luzes incessantes percorrendo pautas musicais.

Segredos costurados nos travesseiros.

E o medo

e o mijo nas calças
ao ver os fantasmas do porão
e não havia porão em tua casa
e não havia porão em minha-tua-nossas casas.

e o eco te sobe pelas pernas
e o que verás?

Teus são teus olhos
e o que chamas de vermelho
para um outro talvez não seja.

Há uma mesma tarde no tempo

distinta para cada um de nós.


*verso roubado de algum poema que não me recordo

25.4.10

Por uma nova pele

Outono
ou outubro
outro nada
outro tudo.
E voltarás
a teu quarto
só como sempre.
Outra noite
outro susto
ouvindo valsas
ousando um salto.
E serás o mesmo.
Outro grito
outra face
outro gesto ensaiado
outro amor não declarado.

Até quando?

25.3.10

Sexta-feira Lúcia

.................................................................pintura de Arshile Gorky

Estou aqui te observando enquanto você caminha pela orla com as mãos nos bolsos, desenhando percursos sobre as linhas da calçada. Vejo-te brincando com as chaves pra aliviar as mãos tensas, sorrindo sem graça pro vizinho que te cumprimenta. Então você pára de repente, indecisa entre água de coco e refrigerante, e escolhe o mais barato. Guarda o troco e senta-se com os olhos baixos diante do orelhão, pensando se deve ou não ligar pra ele. Mas como sempre você pensa demais, acha que está sendo inconveniente, insistente, e prefere desistir, sem saber o quanto ele espera pelo seu telefonema.

Seus dedos bailam no ar e você sente uma tristeza fria como estas noites de agosto. Dói tanto, mas não há pranto, você já não sabe chorar, as lágrimas endureceram e ficaram cravadas no fundo d’alma, e como pesam. Ergue o corpo e segue na caminhada. Não sabe se volta pra casa ou continua andando, não sabe. Estanca o movimento, sente o mundo girando e tem de vontade de gritar, mas não grita, silencia e volta ao lar. Eu te sigo. Ao chegar os cães lhe fazem festa e você os enxota aos pontapés, sente raiva de si, sente demasiadamente. Curva-se e os acaricia numa tentativa de desculpas, e eles as aceitam. Entra no quarto, tira as roupas e as arremessa sobre a cama, deita-se nua no chão frio, sem saber o que fazer desta noite e assim fica, imóvel por um longo tempo.

Na sua memória passeiam as lembranças de todos aqueles que pareciam te olhar de uma maneira diferente, e realmente alguns deles te olhavam. Mas você sempre se achando indesejável, sem-sal, embora no fundo desconfiasse que as outras não tinham um terço do seu valor. Você tinha um mundo no peito, mas parecia não haver ninguém para ouvi-la. De uma daquelas tardes distantes, ressurge a imagem do cara que esbarrou contigo na saída do cinema. Seus olhares se encontraram e naquele segundo vocês pareciam descortinados um para o outro, mas as palavras não saíram, e ele se perdeu no meio da multidão. Desde então aquele rosto nunca mais se apagou da sua lembrança. E vieram outros verões, alguns encontros, bem menos que desencontros, e a terrível sensação do tempo que passou sem ser vivido.

Na buzina de um automóvel você desperta das lembranças e volta ao presente. Observa a luz do poste que invade o quarto e pousa sutil no bico do seu seio, decide levantar-se e diante do espelho solta um riso discreto. É hora de voltar à vida. Escolhe o seu vestido mais bonito e sai mais uma vez à procura de uma noite diferente.

25.2.10

Andanças por Mangaratiba

Na pedra um corte
veio aberto a dinamite
vaga -lumes tateiam as folhas
e os postes põem suas lâmpadas pra dormir.
A serra desce sobre o mar.
O vento venta na contramão dos meus olhos.

Não há fala.
Não há gente.

Tenho dois pés
que me levam por um caminho em que nunca passei.
Um cão me late hostil
adiante outro me abana o rabo.

Sobre o asfalto um caracol lança-se à sorte
se for seu dia chegará ao outro lado.

A noite não tem hora
não tem ponteiros.

A pedra transpira.

Há um breve momento
onde o corpo se desfaz
instante em que desato de mim.

Sou uma ave sobre um mourão
uma assombração aos olhos do passante

diante de um rochedo e de um mar que se move.

Amanhã
ao nascer do sol
não haverá o que há.
Será uma outra baía
um outro eu.

Tudo fica aqui
e passa

e passará.

Outubro de 2009

25.1.10

Por trás daquele monte

De repente é aqui
onde a vida parece apequenar-se.
Sem rumo a desbravar.
Sem vislumbre de curva desconhecida.

Há uma outra paisagem
um desvio a beira do caminho.
Nele adentro e chego lá
onde as ervas crescem sobre o barro.
E a manhã é límpida e sem tropeços.
Amarelo-céu
................branco
azul.

Ao cair da noite
o mar de estrelas
pousa sobre nós seu brilho fugidio.

E bebemos o sereno de peito aberto.

Sem disfarces a nos cobrir as horas.
Sem passo rápido para uma nova–velha fuga.

Lá.
Na curva da noite
onde a trilha corta o mato
e só há lua guiando o passo.

Coruja girando a cabeça.
Gavião descansando na cerca.

Lá

Onde quando um dia pesa muito
o outro é recomeço.

Do livreto Torres homem 278.

25.11.09

A cortejada

...............................................................................................Aquarela, 2008.

25.10.09

Uma concha ao pé do ouvido


Daquelas águas que conforme os dias variavam suas cores
Verde
Vermelho
cinza, surgiam crinas, eram cabeças de éguas degoladas.
Porcos inchados, cães saciando a fome de urubus.
Cavalo morto atrapalhando o futebol dominical.
Susto de verão para banhistas
nos tempos em que suas areias eram invadidas por incontáveis guarda-sóis.
Mandalas reluzentes a beira-mar.

Jigogas.
Cobras de duas cabeças.
Minhas mãos revirando as surpresas trazidas depois da chuva.
Carrinho sem roda, boneco sem perna, espinha de bagre.
Baiacu sob o sol estufando até estourar.
Naquelas areias catei figurinhas de chiclete.
Roubei o doce da macumba pedindo respeitosa licença aos santos.
Lacei pombos pelos pés, os brancos valiam mais.
Um trocado no bolso

Champagne de reveillon virando ficha de fliperama.

Meu corpo estremecendo num mergulho de verão.
Era o bater das ondas misturado ao fremir das mãos.

Engravidando marés

Guerreei com amêndoas.
Vi um tubarão (depois descobri ser cação) pendurado numa árvore.
Tive pena dele, de bobeira veio se enrolar numa rede e foi morto a pauladas.
Fiquei um bom tempo sem entrar naquelas águas, medo de avistar barbatana.

Pequenas ondas
Hawaii de playmobil.

O barco de Iemanjá que carregamos pra casa e se tornou a nossa nau.
Trampolim pros mais acrobáticos mergulhos.

Siri no caniço, tainha no puçá, espada no arrastão.

Rabo de arraia chicoteando a memória.

No almoço uma fritada de marisco com limão.
Sem princesinha do mar, sem oceanos.
Naquelas águas escuras estão as minhas mais límpidas lembranças.
Praia da bica
da janela deste ônibus te vejo.

Penso no poeta Hart Crane e me lanço em tuas águas.

Onde tudo começa onde tudo termina.

25.9.09

Cantiga pra ninar tubarões

Sua embriaguez derrama delírios
Delira palavra.

A mão receia
Anseia.

O lobo feroz se solta na madrugada.

Rosna.

Canino à mostra.

Agarra decidida
Põe coleira de dentes.

O suspeito se confirma.

Aceita seca investida
Planta-flor-carnívora
Que pede mais e não sacia.

Do livro Fragmentos do imaginário

25.7.09

Degelo


Que te abraço em devaneio e oscilação. Te elegi a musa dessas noites de cera quente sobre as pálpebras. Quanto durará? Tantas já se foram e não deixaram falta. Um dia, uma semana, mas enquanto permaneceram foram únicas. Agora é você, nos olhos, na memória. E solto pequenos cortejos e sonho e lanço ao longe, pra onde se faça mais difícil o alcance. Admirando sem tocar. E não há nisso inocência ou medo. E nado no mar do provável, do que poderia ser. E com tuas mãos me acaricia os cabelos. E brinco, e tento novamente como quem procura salvação mas tão logo a consiga, abdica.É um querer indisposto, um sonhar desperto. E te levo comigo em noites de suor e te presenteio com flores de desculpas. No império devastado é a única estátua que ainda resiste.E fico com os olhos postos em ti na indecisão de abraçá-la ou quebrá-la definitivamente.


Setembro de 2006.

26.6.09

No sol, em prata e no grão.


As mãos seguram firme pros pés baterem soltos.

Junto ao salto vai o frio na barriga.

Desce ao fundo, sem peso.

De volta à tona,

o sol em meia-luz lhe cora o rosto.

No corpo, uma sensação de não ter onde, nem quando.

Volta e meia pequenos medos;

Avistar barbatana, canto de sereia, mão puxando pro fundo...

Na imersão vai o cardume,

ao encontro das redes.

E as ondinhas quebram,

desfazendo lentamente pequenos castelos.


Do livro Elementar, novembro de 2007.

25.5.09

Bem-te-vi lírico

O pássaro passou
Atravessou o poema concreto
Quis ir adiante
Além do que era dado
Buscava mais que o impresso
Ser mais que o momento exato

Quis ter com as nuvens
Onde as palvras não tinham chão

Em espirais voava
E era observado
Os olhos que lhe viam
Dançavam junto as suas asas
E assim enlaçados
Pássaro e observador bailavam
Em olho-vôo-asa
Milhas acima
Da palavra estática

Do livro Fragmentos do Imaginário

25.4.09

Visitação e enterro do eu ausente

.............................................................. Nanquim s/papel, 2006.


“mudamos sempre mudamos para trás e para a frente sem fim à vista
não há memória memórias só há coisas que mudamos ou inventamos.”
Carlos Alberto Machado, Mito.


Amanheço
Atravesso pontes entre lados opostos

Banhos de sal

Mergulhos de chuva

Noites de agosto sem beijos de lua
Um edredom de nuvens sobre a cabeça

Véu de paisagens passadas
entre árvores de calçada
na calmaria das casas mudas
onde os cães preguiçavam de latir

Tardes de diaristas limpando vidraças

E zeladores com seus rádios de pilha.
e seus ouvidos de ouvir o mundo

(e olhos de regar canteiros)

Prédios de janelas adormecidas

Folhas secas sentadas no balanço enferrujado
Caminho com o movimento do mundo no peito
Paro em respiro
Colo as costas ao banco da praça
com os olhos ao alto
Sob uma árvore de cinco mil dedos
me dizendo sombra

Vaza por entre suas mãos
um céu azul de fogo

E assim me ponho
paralelo aos meus mortos
e os aceno em despedida

Pra que repousem serenos
no esquecimento preciso.

Do livro Fragmentos do imaginário.

25.3.09

Ribeirão,pedras, águas e rodeios com ursos gigantes.

...............................................................................................................Aquarela s/papel, 2008.

Era um rio liso, mais que isso, parecia estreito e raso com suas águas de molhar canelas, mas era largo e profundo como um mar de ondas calmas. Com os dedos dos pés escrevia versos sobre as águas daquele córrego. Que tempo era aquele? Que tempo? E com a ajuda das pedras e das mãos de meus primos construíamos represas. Queríamos parar as águas, queríamos criar lagos, por algum tempo conseguíamos. Por pouco tempo. Depois as águas nos venciam. Então soltávamos nossos barcos de folhas e os deixávamos desabar pelas cachoeiras. Olhávamos nossas mãos, dedos de velhos enrugados. Ríamos.
Pelas pontes de troncos deitados voltávamos, cada qual trazendo sua história mirabolante. As contávamos ao chegar, os mais velhos riam e também nos contavam as suas; o suicida que se enforcou e bateu com a língua no chão, o cigano do rabo de cavalo (não dos cabelos compridos e presos abaixo da nuca, mas de cauda eqüina), e a que mais me fascinava, do urso gigante. Até então eu nunca conseguira vê-lo, sempre íamos embora antes dele aparecer.
Na festa de São João eu perguntava;
- E o urso?
- Ainda vai demorar, fica pra outro dia.
Me resignava pois o sono já era grande, e resmungava ao lembrar das três horas de caminhada que teria que enfrentar até chegarmos em casa, no caminho o urso gigante me acompanhava , pensava na sua cor, se era marrom, branco, preto...
Pensava: Como tinha ido parar um urso gigante no interior de Minas Gerais? Me diziam que tinha fugido do circo, desconfiava, pois nunca tinha visto um circo por aquelas bandas. Todo barulho vindo do mato me assustava, seria ele? Aí meus olhos iam se fechando, o sono chegava e de repente o tio Ilisteu me sacudia – Acorda menino, tá dormindo andando? Despertava, nesse momento já tinha esquecido do urso, provavelmente ele também já estaria dormindo. Aí era contar passo pra continuar acordado, assoviar pra chamar coruja (mas nunca nos atendiam) e ouvir histórias de lobisomem, até avistar a porteira torta e abrir um sorriso pro sono tão desejado, então me deitava no chão de terra batida da cozinha, e ficava a olhar os resquícios de brasa no fogão à lenha, e via na sombra que as chamas criavam um imenso urso, derrubando todos aqueles que o tentavam montar.

sem data.


Entre o vivido e o sonhado, o visto e o ouvido. Passeando por pontes de madeira sobre o rio dos dias, entre as margens de ontem e hoje. Recriando para não esquecer, mantendo vivo.

25.2.09

Limite

.................................................Aquarela s/papel, 2008.

............................................“Não há saída viva da vida”
..................................................Armando Freitas Filho

Virar para um lado
virar para o outro.

O atrito das costelas
o atrito das idéias.

Virar uma página
virar outra.
Um lado do disco
depois do outro.
Desejo de consolo,
desejo de calmaria.

De presente
suor e ranger de dentes.

Vira um copo
vira outro.

Buscar em todas as filosofias
Vasculhar no íntimo.
Pendurar fantasmas
Debater com o sórdido.

Esquiva-se
pra não se ver vestido do que recrimina.

O medo desce na penumbra
lento e decidido.

E ainda pode se levantar em fuga
ainda pode correr
(e quando não mais?).

E chorar e praguejar...

Ter os olhos vazados pela claridade.

A poeira baixando.

De repente
a realidade curvilínea que ofusca.

Encara o corpo nu no espelho.
Vira o rosto.
Procura por qualquer máscara que lhe cubra os olhos.

Dúvida
receio.

Vontade de se encontrar
até se perder
e novamente...

E o desejo de afastar pro lado
o riso mesquinho que a cara pintada não esconde.

Ou a expressão débil que a fotografia lhe rouba.

E vê a pele cair
e tenta retê-la.

Os pés no trampolim
Momento sem desvio.

É a dor da mudança.
O salto no escuro.
Ponto culminante
onde não há recuo.

Do livro Fragmentos do imaginário.

25.1.09

Portão de madeira

Aquarela s/papel,2008
..
..............................................................À memória de Márcia

As borboletas pairavam no peito,
roçando as asas na quina do meu coração.
As bonecas de louça tinham o corpo de pano.
E os homens de fogo tentavam nos ensinar a nadar.
Até pareciam espertos,
mas era a praia dos bobos.
Onde pela primeira vez vislumbrei a brancura do teu seio.

Catarina tinha nome de princesa, e era tratada como tal,
pois não havia em minha rua,
menino que não recebesse os seus carinhos.
Um dia lhe fiz um poema tão bonito que nem consegui entregar,
é que o reli tantas vezes que o papel esfarelou.
Então resolvi escrever um poema sem papel e sem palavras.
Juntei um bocado de sorrisos e acerolas, e pus em sua janela,
ela gostou tanto que me prometeu fidelidade.
Eu quase aceitei, mas pensei bem,
pensei no Pedro, no Marcelo, no Canela...
E disse a ela:
– É melhor não, felicidade só minha?
Tinha que ser também dos meus irmãos.
E assim seguimos todos nós, felizes e cúmplices.

Até o dia em que ao bater às portas do castelinho ela não apareceu.
Havia partido sem deixar aviso
E aquela tarde pareceu sensibilizar-se com a nossa dor.
Fez silêncio.
Não houve pássaro que cantasse
E sequer uma árvore ventou.