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15.1.11

Poiesis urbanus

Nos dias 9 e 16 de fevereiro de 2011, a zona portuária abrigará música, poesia, cinema e artes visuais, a partir de um olhar encantador sobre a cidade.

Poiesis Urbanus é um espetáculo multimeios, o encontro de duas ruas, a da criação e a do ganha pão. Estarão lado a lado artistas que constroem obras carregadas dos estímulos da cidade e artistas que, além disso, fazem do meio urbano sua principal galeria.

O espetáculo começa com curtametragens de realizadores do Rio de Janeiro e Baixada Fluminense, seguido da junção entre a trilha sonora, o grafite e a poesia falada, em uma jam feita por artistas do Rio e de São Paulo; o espetáculo é finalizado com o Invisible Six, sexteto que experimenta os limites da canção brasileira.

Elenco: Cineclube Mate com Angu, Poesia Maloqueirista, Cozinha Experimental, Jazz Trio Dom, Alê Souto, Philippe Bacana e o Invisible Six. Direção de Maíra Gestner e Gabriela Alcofra, e curadoria e concepção de Heyk Pimenta.

fotos crédito: alê souto, dani smith, giovani baffô

7.11.10

Sopro Sopro


Ilustração para capa do livro Sopro Sopro, do nosso querido Heyk Pimenta.

Jajá tá pronto!!!


13.9.10

Livro à bolonhesa, señor? 06|10|10 - 18hrs

Livro a bolonhesa é um plano antimofo, um chamado à ocupação das bibliotecas, para tentar tirar delas o sobrenome Silêncio. Lugar de livro não é na prateleira e biblioteca é lugar de barulho. Uma quarta-feira por mês, sem cerimônias, sem academicismo, numa perspectiva popular, o plano é fazer dos livros itens do itinerário de prazer da juventude, como o cinema, o bar e a balada. Para começar na Tijuca o embrião de um polo de pensamento autônomo, não engessado e horizontal.

A cada encontro autores, editores, atores de políticas para livro e leitura, e coletivos artísticos farão debates, oficinas e lançamentos de seus livros, pensando possibilidades de inserção do livro na vida cotidiana. O público é convidado a participar, intervir e implodir o encontro caso se faça necessário. Será que o livro ainda serve para alguma coisa? Venham para decidir.

A curdoria e produção da bagunça é por minha conta. O nome do projeto, foi sugerido pelo Philippe Bacana, que também assina a montagem da obra que virou o cartaz dos encontros, a foto é da Helena Marc e design do Victor Meira.

PROGRAMAÇÃO

18hrs Debate:

Eduardo Coelho: Escritor e editor da Azougue Editorial, ex-editor da Língua Geral e chefe do Arquivo Museu de Literatura Brasileira da Casa de Rui Barbosa.

Anderson Fonseca: Escritor e editor do Selo Orpheu da Editora Multifoco, editora jovem que atua também como gravadora e casa noturna.

Domingos Guimarães: Poeta e artista visual, curador do CEP20000, e integrante do coletivo literário Sete Novos.

19hrs Oficina:

Os Sete Novos: Formado por Domingos Guimaraens, Mariano Marovatto e Augusto Guimaraens, atua com a publicação de livros, intervenções urbanas e produção de vídeos e curadoria do CEP20000. Lançou o livro Amoramérica (A 7letras), em 2008.

20hrs Lançamentos:

Esculpir a luz (editora Cozinha experimental) de M. R. Mello, livro de poemas de estreia dos dois jovens, a jovem editora e o jovem autor, Marcelo, curitibano, de 26 anos, atua também como editor ao lado de Germano Weiss na Cozinha experimental, que edita e monta seus próprios livros e cadernos ousados manualmente.

Livro do quase invisível (P55 Edições), segundo livro da baiana Karina Rabinovitz, que além de escrever, também intervém com seus poemas pelas ruas de Salvador e do Brasil, além de já ter sidop premiada com alguns de seus vídeo poemas. Livro do quase invisível faz parte da coleções cartas baianas.



Vejam mais sobre:
Livro à bolonhesa, por philippe bacana
Livro à bolonhesa, no overlei
Livro à bolonhesa, no entre águas

13.8.10

Livro à bolonhesa

A biblioteca é o lugar que contém, por excelência, o maior acervo dos saberes da humanidade, desde Alexandre, o Grande. Conjuntura que foi ameaçada e substituída ainda século XX. De tanto conter, ficou realmente contido. E a biblioteca passou a ser um lugar vivo no que tange a quantidade de conhecimento, mas morto e amordaçado no que diz respeito aos usos deste. O silêncio e a disciplina exigidos nesse templo do saber aproximaram-no mais do ethos dos santos, parados nas suas estátuas, do que da alegria, displicência e surpreendimento, que naturalmente nascem do aprender e do compartilhar, características essas muito mais dignas de um templo de Dionísio – onde a dádiva se comemora dançando e cantando.
Com isso a biblioteca torna-se um refúgio para os que precisam de concentração, e uma cela abandonada por aqueles que buscam movimento e prazer. Sabe-se de que lado dessa partilha ficou a maioria dos jovens. E imagina-se, aliás, já podem ser até medidos, os resultados de uma sociedade que tem grande parcela de sua população feita de não leitores.
O livro não é formador de opinião ou fomentador de reflexão do cidadão comum. Ele deveria ser? As características que a sociedade contemporânea apresenta dão condições para que o livro seja um meio de comunicação, formação, informação, reflexão e ação? Indaga-se se a transformação de todas as coisas em produto para o consumo imediato; a descartabilidade que media a relação das pessoas com os objetos, com os conceitos e a própria relação das pessoas entre si; e a aparente necessidade de renovar e reciclar a informação em alta velocidade e em curto prazo podem, todas essas, prejudicar o livro, torná-lo inadequado ou obsoleto.
Esse é um chamado a uma iniciativa, modesta e nada messiânica, para trabalhar na e a biblioteca como um lugar de efervescência cultural, aproximando pessoas e livros, fazer com que elas, descontraidamente, os toquem, se familiarizem com eles. Essa é uma iniciativa para apagar o sobrenome Silêncio dessa instituição tão importante. Lugar de livro não é na prateleira e biblioteca é lugar de barulho.

13.7.10

Poeta de tiro curto

Gente, o poeta, editor e maloqueiro Berimba de Jesus, nos convidou para fazer prefácio (eu), orelha (caco pontes) e diagramação (victor meira) do livro do poeta e camelô Giovani Baffo, que será lançado na Flip. Aí segue a minha contribuição.

Poeta de tiro curto, Giovani Baffo é pop. Poderosamente pop. E popular, o que “não é o mesmo, mas é igual”. Pop porque congrega nos seus poemas os signos da cultura de massa brasileira, fala como um cidadão comum, com figuras conhecidas do cidadão comum. E introduz nos seus achados diários e trocadilhos, arroubos poéticos de grande teor de entorpecimento. Fala de novela e futebol, de carnaval, como quem os vive. E popular também, porque traz consigo uma tradição que não se data, a do pobre que na favela recebia doses diárias de universos fantásticos, crenças, lendas, homens que mastigam vidro, homens que comem gato, gente que viu saci, gente que pôs o marido pra dormir com o martelo, lugares e narrativas que aumentam o mundo, que o fazem ser mais fiel às possibilidades mágicas de existir.
Giovani faz desses pilares seu sistema de pensamento. Tem o camelô aqui, seja no tênis ou no livreto à queima roupa. Mas também tem o bandido charmoso, encantador de mulheres, o malandro na postura e na piada do poema. E disso, apresenta para nós desde um realismo socialista brechtiano com beleza (como em Aos ex-presidiários que abre o livro) até versos graves que poderiam ter saído do microfone do Mano Brown (Camburões vão às favelas, quase na porta de saída), construindo uma modalidade aguda e perspicaz da crítica social e a esse capitalismo tardio, que permeia todo o livro, seja com humor, amor ou dor.
As francesas, Naíma, Rachel, Maria, as moças da ladeira do convento, todas são perfeitas – se não são, ele acredita ser. Ele ama, como cowboy, em silêncio. Ama. Há uma reverência à figura feminina na obra, que constrói motivos no poeta e que deságuam à brasileira, na sensualidade do cinema nacional, no carnaval.
Perfeito é também o céu de Paraty, os mares no poema. O feio nas paisagens mágicas de Giovani está guardado para São Paulo. E foi lá que caiu de um, ou arranjou um sonho. Virou poeta de rua pelo exemplo de Renato Limão, Berimba de Jesus, Caco Pontes, Pedro Tostes. Preferiu um dia comprar um livreto a tomar uma cerveja a mais, e adoeceu-se para sempre dessa emergência fabulosa que é a poesia no mano-a-mano, numa calçada perto de você.
Já ele, o poeta, aqui não é perfeito, critica a si mesmo. A autocrítica, algum descontentamento, a busca de identidade, ou ao contrário, a autoexaltação, como faria um bom anti-herói (por exemplo em “Estátua de barro negro” ou “Máquina de abrir navalhas”), marcam no livro a cara que o poeta tem para si. Choraminga de uma ou outra condição mas sabe (sabemos): o precário é nosso charme.

Rio de Janeiro, 07 de julho de 2010

13.5.10

O horóscopo

Todo mês é mês. E acaba um pouco mais com a gente. Quantos meses será que tiram meses e quantos colocam meses na nossa vida? Acho que na média acabamos ficando infinitos.A preocupação com os coletivos é tema imensamente recorrente por aqui. Sabem, quando enviei para minha irmã, economista, o texto sobre coletivos artísticos que foi publicado no tabloide Atual em maio do ano passado, ela não conseguiu nem saber do que eu estava falando. Me perguntou, mas coletivos, de quê? Coletivo é um conceito que vocês usam para falar de pessoas que fazem arte? Ela não sendo nenhuma idiota, me fez pensar. Imaginei que ou ela era sim idiota ou que eu tinha é me descolado da realidade. E que as palavras que eu usava entre os meus para pensar e falar o mundo já não queriam dizer muita coisa às pessoas que passavam por mim todos os dias ou esbarravam, ou me conheciam. O velho assunto do público.Quando o Oiticica veio falar que não havia público, que a arte não era canal de mão única e sim relacional, e todos tantos outros falaram algo do tipo, deve ter causado alguma coisa naquele chão que tantos pisavam no momento. Talvez para muitos (e videm o caminho que as artes tomaram depois daí: vindo a ser sensitiva, sensacional, fenomenológica, afetiva) fazer artes nunca mais foi a mesma coisa.Mas pra minha irmã (to me sentindo o Max Geringer, colonista de mundo corporativo que sempre usa o filho, a vizinha, o colega como exemplo), nada daquilo fazia sentido, e diz ela que até gosta do que eu escrevo, até desconfia que seja bom o que eu faço, mas ela não se importa, não sente nada e aliás, sente, sente uma confusão enorme quando me lê. Pra ela, e pra minha mãe, pros caras que andam comigo no corredor da faculdade nada disso tudo tem sentido. Paramos de pegar o povo pelo pé, de encantá-los, de comovê-los, de fazer qualquer coisa com eles que não seja entediá-los e aborrecê-los. Isso brocha.Ontem no horóscopo que passou pelo bustv quando eu voltava pra casa depois do terceiro tempo de trabalho e faculdade dizia: aquariano, se conecte às pessoas que tem as mesmas ideias que você, isso lhe trará boas oportunidades. Olhem só. O horóscopo quer mais é que eu me aliene com os meus, ele não quer que eu me relacione em outras escalas, que eu abra o leque, que eu flane pelos mundos que não são meus. E aí? Me junto e me comunico? Me separo? Flano? Faço dicionários pra leigos entenderem de vocabulário de arte? Acho mesmo que o horóscopo é um corporativista de merda, e que ele quer ver o mundo compartimentado. Sem ninguém falar com ninguém sobre o que sente, todos perguntarão... ao horóscopo.

14.2.10

O sorriso de dente torto de ou(t)ro

Primeiro, entendam: escrever colunas é pensar em público. Mesmo que nesse caso o público seja ínfimo e desinteressado. Depois perdoem, escrever atrasado é parte desse pensar. Depois pensemos a respeito de nomenclaturas e classificações, batismos e rodopios do tipo: dando nome a um projeto, uma banda de um homem só, por exemplo engenheiros do hawaii, o que há? Há que todo tipo de egoísmo confundido com ou maquiado de altruísmo (ou ao menos coletivismo) aparece. Nesses casos o dono do nome coletivo pira e fala em nome do coletivo, quando na verdade fala por si. Diz buscar melhorias ao coletivo, à cena, ao trabalho de tantos, quando fala sozinho, sem representar ninguém, e logo fala de si. Nessa transferência de identidade, o pobre dono do nome outro que não é o seu, mas que é a si da mesma forma e exclusivamente, chega a valer-se da terceira pessoa pra falar do assunto, como um político ou o pelé, que fala sempre: o pelé é genial, fez mil gols, como se não estivesse falando da própria trajetória. Cuidado, quando formos falar de nós mesmos, é melhor falar em primeira pessoa, a doença do pelé é grave.

nada de representatividade, vim falar por mim, e por acaso, se algo do tipo coletivo aparecer, não represento, apresento, como um mc que chama ao palco algum comparsa para fazer um free style.

Nesse mês, coisas legais me vieram às mãos. Desde a última coluna, que tinha até nome, fui falar poesia em são Paulo, ganhei e comprei bons livros. De volta ao rio, fui à lançamentos literários e também pude ver algumas ideias nascentes. Os nomes são muitos, e por isso tentarei mostrar o que me chamou mais a atenção por categorias, no que seria um prêmio de cultura dado por mim, se eu pudesse dar algo.

Pra não esquecer que isso é carnaval – no que se refere à harmonia, o prêmio vai para a malocália, concebido e dirigido pela maloqueirista Caco. Foram, no sesc pompeia, mais de vinte artistas fazendo uma jam poéticoperformática durante quase duas horas, sem ninguém no público fazer cara de desinteresse, poesia popular apoteótica brasileira.

No quesito densidade literária, o sorriso de dente torto de ou(t)ro vai para... whisner fraga, que com o seu abismo poente, contemplado pelo proac, editado pela editora ficções tem me feito andar com o livro na mochila e mostrar aos amigos para ler trechos inteiros de uma prosa forte e imagética que eu nunca tinha visto com tanto transbordamento e angústia eloquente. Houve outros bons concorrentes, como o livro métodos extremos de sobrevivência de márcia bechara, editado pela Publisher (cheio de erros de português infelizmente – mas não foi por isso que ela levou o segundo lugar).

No quesito dar a cara à tapa (para aqueles que arrancaram dinheiro do bolso para fazer livros seus próprios livros), o sorrisão dourado vai para três pessoas, empatadas nariz a nariz: o poeta gracco oliveira, de diadema, com o seu refém das ideias; o multihomem heraldo bezerra hb, de duque de caxias, com o seu engenharia de aviãozinho, editado pela esteio; e a não iniciante, caso dos outros dois, beatriz bastos, do rio, que depois do seu triste e bonito pandora | fósforos de segurança, lança da ilha, pela pequena e caprichosíssima editacuja. Os títulos de hb e beatriz levam também o prêmio de objeto livro, por trazerem além muita poesia mesmo (em ramos diferentes da poética), trazem livros lindos e dignos de serem dados de presente sem embrulho, porque são já o seu próprio enfeite.

E o resto são especulações. Claro que outros mil fizeram coisas legais, inclusive nós todos, mas não estou nem aí pra nós. Vamos de carnaval e a necessidade de saber que o teórico, o artista e o político andam juntos pra tramar um assalto à igreja universal, distribuição de renda a pulso.

13.12.09

#13 Queridos Bandidos (editado)

Ninguém se lê

A coluna completou um ciclo. Durante um ano trouxe a público o que me importunou, quis que os importunasse também. Os coletivos e as ações individuais que me chamaram a atenção, as iniciativas e apostas nas quais apostei e as perguntas que me tiraram o sono, tudo isso eu arranjei um jeito corrido e mal escrito de mostrar. E como balanço, trago um balanço. Na reta final deste 2009, vieram por diversas fontes novas, apesar de já vividas na prática, questões.

Primeiro. Ninguém se lê. O blog serviu nem de vitrine, já que não teve acesso algum. Continuamos não nos conhecendo, e continuamos ainda mais longe de estabelecer qualquer troca a níveis de influência ou linguagem. Isso não é um problema desta casa. E esse é um dos temas que trago.

Começo com Victor Turner. O cara é da antropologia, inglês, produziu durante uns 50 anos, tem uma obra vasta, mas vou trazer só um conceito dele, o de liminoide. Pro Turner, com a Revolução Industrial houve um deslocamento da ação de produção simbólica, ela deixa de ser parte da coluna vertebral da vida social (religião, trabalho, família) e vai para as margens da vida social (leia-se: as ciências modernas, a arte, o entretenimento). Esses seriam os gêneros liminoides, fenômenos de influência individual, mas de desdobramentos de massa; que estão relacionados à mercados de entretenimento, e que sem fazer parte da vida obrigatória do indivíduo, são tomados como parte essencial do cotidiano, já que o único vínculo com esses fenômenos é o do prazer, e do desejo, esses últimos raros na contemporaneidade.

Assim os gêneros liminoides do Turner passam a ser pontos de fuga e ao mesmo tempo produtores de diretrizes para a produção simbólica, para a subjetivação, e interpretação da vida social. Para ele, a reformulação nos valores e princípios da vida social que o fenômeno liminoide pode trazer, pode ter inclusive desdobramentos revolucionários.

Porque eu trouxe esse raio de teoria antropológica pra cá? Por causa disso: pra reafirmar a história de que a arte pode ser transformadora, e nós os artistas de sofá, temos algum papel.

E aí vou à segunda parte da conversa. O papel do artista. Recentemente houve na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, o Seminário Nacional Formação e Estatuto do Artista. Especialmente me chamou a atenção a fala de uma das cuidadoras da Fundação Joaquim Nabuco para assuntos de arte, Cristiana Tejo, ela é novinha, reivindica a geração mangue beat, e encurtando a história, falou muito sobre um aspecto que ela acredita essencial para a postura do artista: o fato de o cara conseguir falar sobre seu próprio trabalho. O artista não precisa ser teórico e crítico de artes mas, saber justificar minimamente os trâmites e os processos experienciais e conceituais que o levaram a concluir o seu trabalho como tal. O artista tem que saber qual é sua questão e quais as etapas de conflito e resolução que traz para essa questão.

Aí volto a seta para nós: no caso específico do cenário em que me encaixo não sei se os artistas não sabem falar sobre o seu trabalho, ou se não querem, ou se lhes falta oportunidade para tal. Se o caso for a primeira resposta ou a segunda, isso é uma merda, já que serve para reificar a ideia de que o gênio, o dom, o inato existem em arte. Posto que essa ideia já é criticada e revista o suficiente para que a deixamos de lado. Se o caso é a terceira resposta, isso também é um merda, porém, parte já de um pressuposto melhor, seja, de que os artistas querem trocar experiências, querem desmistificarem-se, porém ainda não encontram fóruns para tanto, ou seja, já tem a postura de que precisam para pensarem francamente sobre suas questões, mas falta ainda o lugar para que possam pensá-las em público.

Ainda tendo-nos como tema, levanto uma crítica séria à nossa postura, os artistas que estão em volta e dentro desse cenário em que me encaixo, passam muito pouco de público para as bandas que fazem parte do mesmo cenário. E aí me enquandro. Os escritores e artistas visuais não conhecem o trabalho uns dos outros, os músicos e front man’s da cena não trocam a não ser música, falta interação de linguagens e de motivo. Conhece-se o som que faz da turma, mas não as letras e raramente as imagens. Como reivindicar-se coletivo partindo dessa postura? Como continuar querendo público se nem nos prestigiamos uns aos outros, e quando o fazemos não estabelecemos qualquer vínculo de trocas ou crítica ou reflexão acerca do nosso trabalho? Essa é a questão do dia.

Mercado, produção executiva, inserção nos meios em que, como oficiais do ofício a que nos propomos, deveríamos nos inserir, isso fica para a próxima conversa. Feliz ressaca de ano novo.

13.4.09

#13 Queridos Bandidos IV

Primeiro: essa é a postagem número 200. Parabéns blog e blogueiros. Lá se vão um ano, sete meses e 27 dias.
agora é papo sério:

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ENTREVISTA DE ALFREDO MANEVY
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Quem é o cara? É secretário executivo do Ministério da Cultura, politicamente tá abaixo do ministro, e do presidente.
Ele é jovem, e tá ligado em tudo. A entrevista só acontece hoje mais tarde, às onze da manhã, mas já trouxe antes para cá as perguntas que farei e depois volto para falar algo sobre o que houve, a la matéria de blog.
Há o seguinte: a proposta de uma nova lei rouanet passa desde o dia 9 de abril por uma consulta pública no site do Ministério da Casa Civil, a proposta gera debates e discondâncias entre artistas, produtores, governo e sociedade e vamos lá saber do homem o que ele tá achando, pedir posicionamento. Por aí vai.
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A LEI ROUANET NOVA
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As empresas perdem o quinhão de falar sim ou não para os projetos, quinhão que possibilitava também prestígio por serem as novas mecenas da cultura nacional, título injusto, sendo que o dinheiro que davam, não davam, mas lhes era abatido de impostos que teriam que pagar de qualquer forma. Esse prestígio é grande e pensado, posto que os projetos que previam mais investimentos em propaganda eram os mais contemplados. Assim a empresa sai como financiadora da arte, cultura e esportes, só trocando o lugar onde o dinheiro que seria depositado, e de quebra ganha banners, outdoors, mostrando o quanto ela é comprometida com esses temas. Com as mudanças propostas, não é a empresa mais quem decide graças ao financiamento se o projeto será realizado, mas uma comissão mista do ministério da cultura. A decisão sai da mão dos empresários e passa às mãos de profissionais da cultura e representantes da sociedade civil.

De qualquer forma parece que o dirigismo já existia, só que era um dirigismo a favor do capital empresarial, agora é um dirigismo segundo profissionais da cultura e sociedade.

Agora quem vai decidir se o dinheiro chega ou não chega é uma comissão metade ministério da cultura, metade constituído pela sociedade e representantes dos setores contemplados. A questão que quem não gostou da ideia levanta é simples: E essa comissão, vai avaliar o valor cultural dos projetos a partir de quê? Vai ser um espaço de avaliação de relevância dentro das questões incentivo, valorização e difusão da cultura nas suas manifestações, ou uma mesa de jogo, um tribunal do PT que decide o que é bom para o PT?

Agora é o Profic - Programa Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura -, quem decide tudo sobre o Profic é o CNIC - Comissão Nacional de Incentivo à Cultura .

“Os recursos do Profic serão concedidos a projetos culturais que resultem em bens culturais de exibição, utilização e circulação públicas, vedada a sua destinação a coleções particulares ou circuitos privados que estabeleçam limitações de acesso”. Esse acesso consiste em quê? O que é na opinião do Ministério a limitação do acesso? A Noviça Rebelde, o os teatros da Zona Sul, os cinemas de Shopping, os preços populares de 50 reais de show da Maria Bethânia? E porquê essas disposições não são válidas para os Ficarts?

Agentes culturais de carreira. “A transferência de recursos do FNC a fundos públicos de estados, municípios e Distrito Federal, para co-financiamento, destinar-se-á a programas oficialmente instituídos, de seleção pública de projetos culturais, que atendam por exemplo a formação de pessoal para a gestão da cultura”. Baseados em quê isso foi proposto?

No jornal baiano a tarde, no dia 06 de abril, a Daniela Castro aponta que em 2008 a Bahia recebeu 7 milhões em isenção fiscal. São Paulo recebeu 336. “Os critérios de investimento de recursos do FNC deverão considerar a participação da unidade da federação na distribuição total de recursos federais para a cultura, com vistas a promover o equilíbrio territorial no investimento”. O que muda com essa proposta?

A pessoa jurídica poderá abater de seu imposto tanto a doação ao FNC, como apoio direto a projetos aprovados pelo Ministério da Cultura, valores que não passarem de 2% de seu lucro. Qual é o chororô então das empresas e produtoras? O que muda de fato para a empresa?

10.10.08

S-edição

[especial para o zine s-edição nº 1]

1 – entupo

Ventos de filhos meeiros
e a rua entope a linha

luninha

céu de gosto careca

roxo clean por causa do pneu

rostinho puindo
a lataria
a plastiqueira

franga mergulhada no piche

BUM de baby clá-clá
Fronteira de treliça

Das coisas que não costumam vir
apareceu que acabou a rua

faz uns dias


2 – rasgo

Depois do fim
vem a preguiça

Manadinha de hiena
aqui no saibro do passeio

puxão mordida grito
dente desmanchando grito

e dedo no vaso
da cara poída

enchendo buceta de roupa

e vai tudo acabando cedo
tudo virando ritual

passo marcado no passeio

27/09/08




15.6.08

Pincel violino

Cálculos. Corte de cola unaforma. Farda
cetim anti uniforme. Dez lâmpadas entendem
o fluxo. Raízes no vento do ciclo.
Cardume-desejo nos mastros. W-Vem de
longe o estupor que buzina. Silêncio de medo
gelado.
Golpes. Poeira semeia galopes. Paira
nos olhos Azul. Máscaras de chumbo.
Não há metal no sagrado. Mote teta se
ressurreições. Galera. Barcos de caça-trovões.
Tiros e gás no salão. Sabão. Devora desenha
a bandeira queimando. Derreteu o ouro
da cara. Imensidão fractais asfalto
em barra. Berra a jornada acaba.
Tinta livre jorra. Jornada de fronte do
cerne do tempo. No seio de séculos calosos.
Dentada na ordem do dia. Jornada Jornal.
(composto para Andrei Y. R. em 13/06/2008)

18.5.08

Ensaia! 3

Saco situação deriva (parte 2)
A poesia já desempenhou o papel de explicar, entreter, fazer cumprir as necessidades de auto-entendimento, apaixonar e trabalhar a noção de inutilidade saborosa através dos tempos, assim como as outras artes. Agora e aqui ela acumula e toma para si o papel de transgressora de linguagens, onde essas são vistas como base e meio do entendimento e relacionamento com o mundo e com os outros, quaisquer tipos de outros; e onde toda forma de existir é permeada por linguagens, linguagens construídas. A alteração das linguagens alteraria também as formas de existir. Isso foi visto historicamente: no momento em que setores diferentes de uma mesma sociedade já não conseguiam se entender, revoluções aconteceram, para Jerome Rothemberg, “todas as revoluções foram precedidas por um colapso da linguagem”. A transgressão da linguagem em sua plena vigência é a demonstração de sua fragilidade, de sua existência construída, de sua existência atrelada ao entendimento da própria existência.
Alterações no curso da humanidade se deram de tempos em tempos. A revogação da linguagem e da forma em que essa sociedade, a nossa, se organiza se alterarão um dia. Essa é apenas uma possibilidade. Nada, a não ser a idéia de que qualquer coisa traz em si sua própria negativa, enxerga como possível e dada essa alteração. Essa idéia como todas as idéias é só uma idéia. Não há tempo de esperar as idéias se tornarem coisas, fatos concretos. Não há tempo de esperar que algo se prove e aconteça pelo curso da história. O próprio curso da história indica que talvez não haja tanto tempo assim.Intervir no curso da história não garante alterações concretas. Mas intervir não é só uma idéia, é ação concreta.
.
saco 31
.........tipóia cegando a luz à tapa
................fugando a ferida à bala
....................................pá cava
................................fogo escurece
....................................lava tapa
.......o jardim nasceu verdinho
...................verte invasão fértil
...................................erétil
...................esterco carne leve
............mosquito moído e quente
.......manta mata atlântica
......guru gaiola
..........sabão de lama
.
saco 22
.........................derruba monte
................afunda barco
..............................abre estrada
..............................pinta de preto em volta do cercado
.
..........na curva do olho e da linha elegem tião
.
...............paulada
zumbido de seca
.......água morna e areia
.
............cavalo alado no açude trazendo pergunta e risada
............tem saco pesado estopa indo embora no caminhão
.
........................sobe monte
........................acelera barco
.........................esburaca rua
.
..........festejo no barro colheita no sol
........................tião pirata voando
.
.......................bandeira no mastro
.............................dois pés no chão
.
(saco 22 tomou o nome de Aboio e foi musicado por Léo Xisto para a banda Na Sala do Sino , clique para ver os cara no youtube)

7.5.08

Ensaia! 1

Saco situação deriva é uma série de significados, significados não vigentes. A forma poética se impõe dentro de um universo de relações políticas. No mundo em que o absurdo foi tratado como exceção, essa especulação prática aqui contida traz o entendimento do absurdo como qualquer coisa, qualquer coisa é absurda. Todas as coisas são absurdas. O que o homem fez até o momento foi garantir interpretações diversas para dar ordem e significado para esse absurdo, assim reforçando a máxima de Levi-Strauss, onde “Toda classificação é superior ao caos”. Caos é a inexistência de ordem e de relação de finalidade entre partes de um todo. A falta de ordem foi tida através dos tempos como o grande problema da humanidade e todas as sociedades empenharam esforços para se ordenar segundo os valores que desenvolveram para melhor apreciação da existência. O caos fere, e a sensação de não intervenção ou de não entendimento que o caos traz são rapidamente substituídos por qualquer emaranhado de símbolos que tenham começo e fim para que seja possível existir sem que se tenha que recomeçar o esboço de um entendimento a cada movimento.
O papel que os conjuntos simbólicos e de ordem tiveram na maior parte das suas aplicações foi o de impedir uma nova pergunta sobre um problema que já tinha sido resolvido dentro desses conjuntos de entendimento. As tentativas de dar ordem ao mundo fizeram com que as relações aparentemente suportáveis para a existência fossem aceitas e só fossem substituídas quando o que elas causassem fosse danoso à existência a ponto de não ser mais possível existir dentro dessas premissas. Assim uma faceta interpretativa de um conjunto de significados só é substituída se for contraditória dentro desse conjunto e principalmente se aqueles que detém a autorização para modificar essa faceta estiverem de acordo com sua modificação ou se por confronto forem substituídos junto com as facetas danosas. O que aconteceu nos processos de desenvolvimento dos conjuntos de significados foi a justificação das facetas danosas pela criação de outras facetas interpretativas que davam sentido e finalidade aos motivos pelos quais esses danos deveriam ser suportados.
O que há daí em diante é a elaboração de significados para a existência de acordo com as finalidades daqueles que elaboram os significados, onde não se estendeu a todos os integrantes de uma sociedade o papel de desenvolver ou de substituir a ordem, regras, símbolos e significados de sua própria existência. Suspender as regras, significados e finalidades é dar de volta ao mundo o seu teor de absurdo – a possibilidade da abertura ao entendimento de novas finalidades e significados para a existência.


saco 26

mas a golinha do frufru do frango enrosou feiticeira

...........................................aí garrafa calcinha

...........................................e amor de cinema


........................................................sandice

.......................................................de hora do almoço

.......................................................e ilha à remo no pacífico


..............................
quando o outono chega
..............................a folha escama

..............................e a gente aflora


saco 27

.............................tô falando é do
.................pós mortem do cachorro
.............................mas aí chega a
.........................catraca eletrônica

................você com gancho bote e
...................remedinho na mochila

........larga o santo e chama pra briga

..fode com a minha paciência nas alturas
e me ama dia desses nessas tardes marginais

Heyk

14.4.08

da série de poemas plásticos - )saco

Não importa se o saco fica
.............A porta é o fato no qual
.....................Todo ato é um atol
.................................
Arrebol de paixão seca
................................................E seca o
..........................................mar de confete
.............................................Guarda tudo
............................................num saquinho
.....................Carnaval fora de época
................Sobe o mundo alegórico
................Começa a era abre asas

................Marreta e amor meu bem
................Marreta e vaso de flor
.....................A rodovia um jardim

.


28.3.08

da série hermetóxicos

hermetóxico um

................................cia sibila imagética
..................ferossemelhança enigperformática
....................................tecno áutero tragédia
............comprimido extra céfalo transtornorteando
.....................................amerindiariamente
...................................faber
...................................puber
...................................ciber
...................................liber
......................................cidade

5.3.08

Da série de poesia plástica - saco

................................A morfina
.
...............................Letal
.
........................franze franze franze
...................engorda orelha
.............buchecha seca
................torce o canino do rasgo do lado
................derrete barbicha de tralha
.
olho hipnose onda do mar .......duna na testa varrendo o cheiro

..........................dimensão dilacêro
.
.............................
aguaçal lamparina
.
.
......
.........................................
e escurece

19.2.08

Primeiro delírio Narrado

Um rosto disforme
Aproxima-se indiferente
De também uma
Labareda flamejante
Ela salta
Enraizlando-se como veias
De ódio dos olhos
No céu

Podendo rasgar folhas de aço
Descarta a forma destrutiva
Espiralando-se em flores, violetas
Que caem mansas
Entre a orelha e o cabelo
Das crianças.

Gira-gira, redemoinho de flores
Forte de mais
As crianças vilipendiam
à outra realidade
Girando, rodando e rodando no ar
Deixando os sapatos
Pra trás


E caindo como que cinzas
Na íris profunda
De uns poucos mortais
E então escorregam formigas
de todas as lágrimas
in(feliz e )conseqüentemente reais
.
.
.

12/01/06, em Artur Nogueira – SP

30.1.08

de dentro

E a lua corre solta nesse céu de brasa. Sua boca ainda mastiga alguma coisa minha e eu sinto um cheiro que provavelmente é seu. A sucessão do dia é de sono e sonho. Preciso de uma notícia desvairada. Corrijo o palavreado alheio pra poder ficar calado e amontôo moedinha pra pagar a toca onde durmo. Um chumaço de algodão gira no vinil que cambaleia. A luz é amarelada. Minha mobília é feita de caixa de fruta e eu continuo tendo uma escada no meio do meio que dá pro nada. Num jardim de inverno aqui perto eu conto as formigas que rasgam minha roseira. Meu violão máquina de escrever e jaqueta de couro mofaram. Varei dos cadernos e oitocentas personalidades no ano passado. Ralei o nariz nas ondas e entendi a dinâmica dos biquínis nas manhãs de quinta. Vi cinema mudo pra aprender inglês e vi mais o mundo num poema concreto do Vertov. A maquinaria dessa geléia funciona por conta própria meu amor. A poesia é uma mentira brava que inventaram nos anos 10 e agora eu me desligo na internete pra negar o iluminismo. O Brasil teve trinta homens e trinta e duas mulheres e não sei porque ainda não ficou deserto. E a roda gigante é só um jeito antigo de tocar o céu. A linha corre solta nesse paletó de palha. O metrô voa num arbusto de frutinha e eu nunca entendi nada dessa pelaiada que me cobre. A lenha corre solta nesse amor sem asa.

24.1.08

Movimanto

Movimento
oblongo
babel belarus
e soldados de
chumbo
quebra vozes
rasteira de
andarilho para a
santíssima trinada
tormenta instantânea
trama epifânica
caule abomentáculo
color trench
amorzinho
temor por toda a
tarde

3.12.07

Cilindros à Frátria Amada

tem muita história nessa água
e só de escafandro num vai dá mesmo
se a beira do Xingu tivesse caldo
caldo tinha era em São Paulo
daqui três séculos
e em baixo d’água

foi o aqüífero guarani que explodiu
quando o metrô derreteu
e sumiu com a nega do victor
e fez peixe voar do céu de bronze do bacana
e fez o weber saber o que tava falando
fez o valor ser mais moeda de troca do que a moeda
a ética pondera o troco
e o troco exacerba a média

é pressão craniana
onde o ar virou lago
virou útil a antena parabólica
peneira samburá rede de pesca
noite grafite eufórica
foi ele que chorou demais

fui eu que gastei o cartão magnético de Curitiba
em 92 tava tudo em dia
mas acabou de mudar a regra

foi o Tietê que virou promessa
foi design que forçou a barra

acabou de acender um cigarro
o cara do barco à fibra óptica
que ligou o motor e foi embora

ou a gente cria guelra
ou junto com água engole a Terra