31.5.10

Download Livre?


Caros Zinabrenses, me ausentei novamente mês passado. Trabalho, faculdade, projetos pessoais, enfim um amalgamado de tarefas que acaba por prejudicar meu compromisso aqui no Maná e com toda a internet. Aliás, esse mês o papo é internet, mais especificamente o download de músicas.

Há cerca de um ano (acho que somente o Victor sabe) estou gravando meu álbum de forma independente. Sou músico há 12 anos e toco Folk Music. Neil Young, Tom Petty, Bob Dylan, Pete Seeger são algumas de minhas influências desde moleque, que acabaram naturalmente refletindo na minha maneira de tocar e principalmente no idioma cantado, o Inglês.

Um ano depois de começado o projeto, aquele Demo ‘desleixada’ de fundo de garagem tomou corpo, foi agraciada pela mão de ótimos músicos (o baterista Ricardo Mosca da banda Pau Brasil, e o baixista André ‘Odé’ bolsista da Escola do Zimbo Trio), e agora está recebendo os acordes dos meus violões, guitarras, banjos, etc. Um trabalho árduo, caro, desgastante, que muitas vezes me privou das excentricidades comuns aos meus quase 23 anos (leia-se saídas com a namorada, aquela cerveja de sexta, livros, discos, etc.), mas que de maneira alguma é maior que o prazer e a emoção de ver algo unicamente seu tomando forma, principalmente quando você acredita profundamente naquilo que faz.

A maioria dos artistas daqui sabe do que estou falando. É por isso que gostaria de saber de cada um (sobre esse tema batido), o que realmente acham sobre baixar música da internet. Confesso que ainda sou um dos poucos que mantêm uma coleção crescente de Lp’s e Cd’s, mas também confesso que baixo alguns álbuns para degusta-los, mas se aprovados procuro adquiri-los o mais rapidamente possível.

Sendo assim vou fazer uma série de considerações e daí em diante é com vocês. Mas juro que tal interesse é legítimo... Quero ser influenciado, mas quem sabe influenciar também.

- (Não defendo gravadoras, justamente pelos contratos pornográficos e pelos preços abusivos impostos aos artistas e aos álbuns respectivamente). O preço mínimo de um CD prensado para que todos, do artista ao vendedor, tenham lucro é R$12,90. Mesmo a esse preço, você compraria ou baixaria?

- Um Álbum não é diferente de qualquer outra obra de arte. Você não vai a uma exposição de óculos escuros, nem censura palavras de um livro. A qualidade do Mp3 faz justamente isso. Ela modifica a integridade da obra. Um CD é gravado em um estúdio com equipamento de áudio profissional para velar por todos esses detalhes, e é esperado que o ouvinte o reproduza em um aparelho de som no mínimo descente. A má qualidade do arquivo de Mp3 somado a má qualidade dos Players portáteis descaracteriza a obra do artista. O que é ouvido não é aquilo que foi gravado!

- Um Álbum vai muito além da música. Ele é o encarte, as fotos exibidas, os créditos dados, além do próprio CD e de todo o aspecto visual. Ele tem cheiro e textura. A música é um dos inúmeros aspectos que o compõe. Além disso, como artista, essa é deliberadamente minha opinião: a idéia da minha ‘arte’ ser ‘deletável’ é inconcebível. Um arquivo de computador desaparece a um toque, um CD mesmo que queimado, quebrado ou moído existirá de alguma forma, ou pelo menos terá passado pela mão de alguém.

- Quem disse que artista lucra com show e não com disco, mente ou ignora. Como toda cadeia produtiva, tudo está interligado e o resultado disso é o cenário musical atual. Antigamente os Beatles entravam em estúdio para compor um álbum, Pink Floyd, Led Zeppelin, Dylan, idem. Atualmente tal processo é impossível. Ou se tem um estúdio particular, ou se entra num sabendo exatamente aquilo que vai fazer, porque a hora está contando e seu preço não é nada barato. O processo criativo ficou limitado, idéias surgiam no estúdio, eram duas, três, dez versões para a mesma música, mas agora é como uma peça de teatro, pequenas alterações podem ser feitas durante os atos, mas o enredo está definido e decorado há muito tempo ou o preço a se pagar são as vaias. O amputamento do processo criativo é mais doloroso do que qualquer outra perda financeira.

- E por fim, eu, como artista, não acho que a música deva ser privada. Como muitos outros vou disponibilizá-la para ser ouvida (não baixada) em meu site, mas como resultado de um trabalho árduo e financeiramente nada barato, acho que tenho que ter algum retorno por isso. Não existe a necessidade de ser um magnata da música, nem ser o clichê do rockstar e sim como disse a cantora Joss Stone: “Não quero poder comprar carrões e jóias caras, mas sim ter dinheiro pra fazer duas coisas. Poder pagar minhas contas e poder compor mais música.”.

Preparar! Apontar!....

10 comentários:

Victor Meira disse...

Pedrola, legal seu texto.

Antes de mais nada, introduzo-me: sou um consumidor compulsivo e obsessivo de mp3. Tem semanas que chego a baixar quinze, vinte álbuns, e tenho cerca de 100 gb de música no computador.

Disso, eu seria o bicho mais hipócrita do mundo se eu defendesse qualquer coisa diferente de: viva o mp3 e haja mp3 de graça em todo site de banda do mundo!

Como você mesmo disse, o mp3 reduz significativamente a experiência auditiva-musical numa questão de qualidade, mas aí tenho 2 pontos. O primeiro é que o formato permite um arquivamento em larga escala, por ser pequeno, e altamente organizavel (ou muito mais do que uma porrada de cds). Além disso você ainda colabora com o meio ambiente, economiza espaço físico na sua casa, e ainda pode ter acesso a todo o material dos encartes pela internet (a diferença fica na interface física\digital).

A segunda é que a diferença qualitativa do mp3 a quaisquer outros formatos de maior qualidade (wav, cda, flac) é um argumento meio teórico, mas na prática não ouvimos música num ambiente ideal da cntp. Pra ter essa experiência ideal você precisa de equipamentos caros, como woofers e caixas de som ou fones de ouvido com largos alcances acústicos e isoladores de ruídos externos (um fone desses custa em torno de 270 a 700 reais, fiz a pesquisa recentemente). Além disso você precisa estar num ambiente propício à pura contemplação musical; então esqueça a idéia de ouvir música no trabalho, na rua, no ônibus ou no metrô (que, aliás, são lugares onde há ruidos que te forçam meter no volume máximo a sua música). Essa busca pela experiência ideal sonora é utópica. Acontece às vezes, mas convenhamos: não queremos limitar a nossa experiência com a música a esses momentos de pureza sonora. Queremos ouvir música até no meio da guerra.

Sobre o encarte, houve uma época em que a única experiência adicional ao produto-música era o encarte, e quiçá algum material da imprensa, para as bandas mais populares. Hoje você pode ter essa experiência expandida por meio do site oficial da banda, sites não oficiais, comunidades em redes sociais, vídeos que a banda lança no youtube, e mais uma centena de materiais que estendem a experiência com o eixo de tudo, que é (ou deveria ser) a música da banda.

Enfim, após toda a apologia, defendo principalmente o download grátis para bandas que estão iniciando. Ouvir as músicas no site do artista é hoje algo como era ver seu artista na mtv ou na rádio. Quando o sujeito baixa as músicas ele tem uma experiência parecida com a da compra do disco, que é a de posse de um produto. Isso transforma só de maneiras positivas toda a experiência tanto do sujeito, quanto a do artista.

O CD não tem que morrer. A coisa física é boa, gostosa, existe fetiche sim. Mas a cara da nossa geração é o mp3, é o download gratuito, é o "baixa ae, e se curtir, vem me ver tocar ao vivo e compra meu cd". Já que a experiência do mp3 é menor, trate-mo-lo como um trailer, uma espécie de tira-gosto da experiência completa e ideal (que teoricamente está encerrada no cd).

Dinheiro DINHEIRO mesmo com venda de CD você só vai fazer quando tiver vendendo milhares de unidades. Por picuínha prefiro não privar ninguém de ter uma boa experiência com a nossa arte, e um relacionamento gostoso conosco enquanto artistas.

Bela questão, Pedro, ainda mais porque cê tá sentindo na pele aí. A questão é tua, antes de tudo, e isso a torna sincera. Gostei do texto, das defesas e dos argumentos. Mas vou ripar os audios do teu site e fazer um torrent rapidinho, seu safado!

Hahahaha!

Viva o mp3 e haja mp3 de graça em todo site de banda do mundo!

william galdino disse...

Fala Pedro, bacana o texto.

Legal os artistas que vc citou, também curto muuito música folk, fiquei pilhado de conhecer o seu trabalho.

Sou alguém que ainda se encanta pelo objeto, parte gráfica, capa , encarte, e isso deve ter uma ligação com o meu interesse pelas artes plásticas, curto ter um lp(principlmente) ou um cd nas mãos.Também gasto(quando dá)uma grana comprando discos, embora isso acabe gerando um problema que o vitor comentou, da crescente falta de espaço pra receber novas aquisições. Começei a curtir música no fim da era do lp. e gravei muitas fitinhas cassetes pra ouvir no walkman. É inegavel que a relação que temos com a música hoje em dia mudou. Lembro como era dificil na minha adolescência conseguir ouvir certos discos, eram caros, muita das vezes importados, e se tornavam inacessíveis, aí a sorte era encontar de repente um lp em algum sebo e sorrir de alegria.

Lembro a primeira vez que ouvi um disco do Joy Division foi uma alegria indescritível, encontrei um lp na Pedro Lessa, uma rua aqui do Rio que é famosa por suas barracas de discos e cds. Já era fã da banda só pelas leituras que tinha feito em jornais e revistas mas até então nunca tinha ouvido o som. Quando consegui encontrar esse lp por um preço que eu poderia comprar foi uma alegria só, aí foi ouvir até furar e gravar as fitinhas k7 pra repassar pros amigos.
bem tudo isso se deu no final dos anos 90...

Hoje em dia tá tudo aí disponivel. e que maravilha, poder ouvir sem muito esforço aquela banda obscura de rockabilly do norte da bulgária..

Acho que não há a necessidade de uma possibilidade excluir a outra quero poder continuar descobrindo novos sons através do mp3 e também abrir um grande sorriso ao encontrar um vinil do Dylan por um preço camarada num sebo empoeirado.

O papo aqui renderia muito há vários pontos que vc citou e que o vitor também comentou que ainda renderiam umas mil linhas, fica pra próxima.

abraço.

Pedro Gama disse...

Victor seu safado espertalhão! Não há a necessidade de ripar os aúdios do meu site. É claro que endereçarei um dos meus abomináveis cds físicos pra vc com dedicatória e tudo!!!!

Aliás o Papel de Parede vai ficar no virtual ou vem aqui pro mundo real nas CNTP e vai tocar ao vivo pra todos nós???

Cara esse papo é foda. Acho que sou um saudosista, mala e rabugento... Gosto da bolacha e da bolachinha, é fetiche é necessidade... enfim não sei! Eu adoro segurar um encarte e ouvir faixa por faixa do álbum recém comprado. Gosto de vê-lo na minha estante...

Concordo com vc em questão de armazenamento e que nosso atual estilo de vida impede que a gente ouça música num ambiente descente. talvez o buraco seja mais embaixo e papo chegue no ponto que tudo isso aqui que estamos vivendo não seja o ideal, e que tivemos que abrir mão de muita coisa por causa desse estilo de vida.

William que bom saber que existe ainda uma resistência folk. Dá uma olhada no meu blog All Folk Music (tá desatualizado), mas tem dicas de algumas bandas novas. E cara, isso que vc falou é fato, tenho que aprender a conviver com as duas mídias, mas como vc mesmo disse: é um tesão achar um lp camarada do dylan por um preço bacana.

abraço pros dois fui!

Henrique Maeda Smith disse...

Cada vez mais sou contra a necessidade de materializar os 'produtos', mesmo os artísticos.

Qual o lugar do CD, quando as principais maneiras de se ouvir música por aí são digitais.

Cada vez mais esse plano digital vai estreitar o ligamento com o material, acho que pode rolar um aproveitamento deste espelhamento.

Acabei de ler aqui, por exemplo, que a internet está mudando o comportamento dos jovens, que estão preferindo o transporte público ao carro particular. http://www.proxxima.com.br//portal/noticia/A_revolucao_digital_modifica_a_cultura

Tulio Malaspina disse...

Fala Gama! Vamos lá, são muitos pontos a serem colocados aqui.

Eu concordo com cada letra, sílaba e palavra que o Meira colocou. Também sou um consumidor compulsivo, já estou completando 150gb de músicas e outros 100gb em filmes, vídeos e livros! Sim, LIVROS.

Organizo tudinho, passo horas olhando os arquivos, degustando os "produtos". Também sou como você, quando baixo um álbum, escuto música por música, faço questão de abrir as imagens e, algumas vezes, procuro saber mais sobre como aquela peça chegou onde chegou.

O consumo é praticamente igual.

Não sou músico, nem entendo de equalização e, também não possuo um bom equipamento de som. A parada é que não consigo viver sem a música, mas só um fone do ipod, em um metro barulhento, com volume baixo, já me satisfaz. Não totalmente, mas o suficiente. E por incrível que pareça, são os meus melhores momentos com a música. Quando estamos na rua, em movimento, um filme/clipe está sendo criado dentro da cabeça, e o diretor é você mesmo. Normalmente é ai que me emociono, escuto uma outra profundidade da música, vejo com outros olhos, outro ouvido. Mesmo com todo o barulho e interferência, a parada tem poder.

Baixo, escuto, organizo e descarto. Sem medo de ser feliz. Também não gosto de escutar no site, quero o arquivo para mim. Eu quero possuí-lo, guardá-lo, carregar para onde bem entender.

O artista é pobre financeiramente, mas sua alma supera, ou deveria superar, essa condição. Infelizmente, como você mesmo colocou, dos R$12,90 grande parte fica no meio do caminho. Posso parecer romântico, mas a recompensa do artista é subjetiva, tá em outro plano. Reconhecimento não tem preço e abre portas, infinitas.

Um caso que acho bom citar é o Teatro Mágico, que só lançou um CD, vendido a 5 piletas e estimulado a ser copiado e recopiado e distribuído por todos os cantos. Você conhece alguém que nunca ouviu falar do Teatro Mágico? Virada Cultural de 2007 ou 2008 (não lembro), o show deles foi o mais cheio e impossível de se assistir. Mais de 100 mil pessoas, sem dúvida alguma, foram lá assistir o show dos caras. Tenho certeza que isso arrepiou o couro cabeludo de todo mundo, inclusive de empresários que queriam sugar um pouquinho do bom trabalho que eles construíram.
Eles revolucionaram. Provaram que é possível fazer algo muito bem feito e ser reconhecido e quem sabe pagar algumas das contas.

Acredito na música livre, na arte livre. Graffite, performance, músicos de rua. Infelizmente, temos que pagar as contas. Mas não acho que a arte vá fazer isso por ninguém, nem acho que deveria fazer. Ela deveria ser livre mesmo, por boa vontade e paixão, por mais utópico, romântico, besta, ignorante, adolescente, que possa parecer. A arte livre é mais bonita, não pede nada em troca, e vira ação social. A arte marginal é mais política, mais social. Ela só existe por que tem causa, indignação, paixão. (Acho que to fugindo do tema, hahahaha)

Enfim, se um dia vierem a proibir a distribuição livre na internet, eu continuarei a distribuir conteúdo, seja por download, seja por gravação, da maneira que for. Quero mais liberdade para ouvir, possuir e descartar. Só isso.

Pedro Gama disse...

Fala Túlio! Tenho que te dizer que os meus melhores momentos com a música também são ao ar livre, fazendo esses pequenos filmes na minha cabeça, criando fantasias e roteiros sem fim.

O fato que queria destacar com esse texto não era o prejuízo financeiro para o artista (mesmo pq o tempo de vender milhões de cópias já era), mas era o prejuízo criativo. Diferente dos poetas, escritores e pintores, as músicas em sua grande maioria são compostas sim nos estúdios. Elas podem ser ensaiadas em garagens, quartos, etc. mas o clima de gravação é único e as vezes a 'mágica' só acontece naquele instante, e ou é gravado ou dê adeus pra sempre aquela versão. Keith Richards estava 'louco' na gravação de 'Exile Main Street'. Louco, mas dentro de um estúdio que gravava tudo o que ele fazia quanto empunhava sua guitarra. O resultado: o melhor álbum dos Stones.

Não vou ser hipócrita, toda gravadora e um bando de filho... mas, elas tinham a grana e investiam no processo de gravação. Querendo ou não, na minha visão, um mal necessário que possuia o capital que era revertido para processo criativo dos músicos. Qual foi um álbum épico lançado nos últimos dez anos? Você pode me nomear um ou dois quem sabe... e nos anos 90, e nos 80, e nos 70, 60, 50... o número aumenta progressivamente quando voltamos a fita!

No entanto como todos diseram a liberdade de ter tudo ao seu alcance é algo difícil de ser combatido. Concordo com vocês em termos, no entanto penso se não tivessem existido os mecenas nas artes, a Motown e a Atlantic Records na música, em que ponto estaríamos???

Ah e Henrique, no quesito ambiental tbm concordo contigo, mas como fazer com as telas, as esculturas, a técnica manual, instrumentos músicais feitos de madeira... podemos fazer tudo isso no digital né? Pintar no Ilustrator ou no Painter, compor trilhas sonoras com guitaras, baterias e pianos digitais...

Até que ponto vamos substituir o palpável e o real pelo digital? As crianças não apredem mais a tocar um instrumento, jogam Guitar Hero. O pessoal consegue realizar todas as técnicas de desenho com apenas um click, quantos realmente conseguem fazê-las a mão? Os mais jovens não abrem mais um livro, eles pedem ao Google as respostas do trabalho. E quanto nós gastamos com a constante troca desse aparato digital que se inutiliza em questão de meses???? Sei lá acho que tenho uma alma velha e emburrada que vê a internet ainda como um meio e não um fim pra tudo!

abraços

Pedro Gama disse...

http://whiplash.net/materias/riffola/109271-frankzappa.html

Gênio! ahauhauahhahu

murion disse...

Nada vai ser como antigamente. Infeslimente.Quem tem sorte de ouvir LPs, tem a sorte de reviver um pouco do passado.

Henrique Maeda Smith disse...

Entendo teu ponto Pedro, sem dúvida as telas e esculturas não têm seu espaço acertado dentro da digitalização. O que, para elas, funciona.

Não digo da necessidade de se fazer tudo no digital, mas que o fim, o produto, este sim têm seu espaço.
Até porque, digital e analógico são histórias completamente diferentes, como ouvir a mp3 e o Vinil, quem sabe, sabe.

Infelizmente para o seu trabalho, a música, assim como em parte para o meu, a fotografia, boa parcela do corpo já está muito mais pros bites. O valor do artista deve ser transferido ao material que ele apresenta.

E novamente, infelizmente, a monetização dos subprodutos digitais encontra a barreira da facilidade de reprodução - o que, por outro lado, facilita a disseminação do trabalho.

Sinuca de bico.

Heyk Pimenta disse...

Claro não vou tratar aqui daquilo que concordamos.

o ego saltado no aorta é engraçado: socorro, se alguém me deletar da playlist vou dar ter um treco; disco não, pelo menos sobra o plástico queimado pra poluir mais um pouquinho. Piada.

a outra é mais séria, e nela chamo a atenção para uma noção de dinamismo e transformação da cultura: se o mp3 tem qualidade pior, e o mp3 player também, será mesmo que os cuidados com a música permanecerão? Pedro, a cem anos atrás qualquer construção (falo de engenharia, prédios) tinha muito detalhe, muito detalhe. O neo clássico e o eclético são bolos de noiva de concreto. Com a arquitetura moderna tudo aquilo foi pro saco, permaneceu a linha reta, limpa. Será que agora passamos por um processo parecido na música, uma diminuição de detalhes para os ouvidos do ouvinte padrão? mesmo apesar de ela a música estar ainda sendo elaborada com muita sofisticação e detalhe?

Pra coisado baixar ou não baixar, bom a coisa que tenho visto dando certo e tem bons exemplos é o: amigo, pode baixar, querendo, pague o quanto quiser, se quiser pagar. A média de contrução voluntária é de 70%.

Os intermediários: será mesmo que temos que assegurar o trabalho deles: burocratas, advogados, contadores, lobbistas e amigos do tipo? Se você diponibiliza por contriuição voluntária, corta toda essa osdura que se materializa em preço alto no disco. O preço é o preço do direito autoral, com ele você ressarce o que pagou pelo estúdio e com o tempo te sobra algum.

falando es estúdio acho bobeira achar que ele o estúdio é o único lugar pra criar. pô, num dos milo ensaios que você vai fazer por aí, sem gravar, tocando sem amplificar, se for o caso, e por aí vai, dá pra fazer 1000 versões das músicas, e levar pro estúdio o que for.

vamos lá. há muito ainda pra pensar,e dizer e olhar.