26.10.07

CACHORRO MORRE DE FOME EM EXPOSIÇÃO DE ARTE


CACHORRO MORRE DE FOME EM EXPOSIÇÃO DE ARTE

Na parede do fundo da galera está escrito em letras grandes e é possível ver desde a entrada. “Tu és aquilo que lês”. As letras são formadas por comida de cachorro.
Logo adiante, um cachorro doente amarrado numa corrente. Morreu na galeria por falta de alimento.

Na tarde que antecedeu a inauguração da exposição, o artista Guillermo Vargas Habacuc perseguiu e resgatou num bairro da periferia, por entre barracos, o pobre animal.

A obra critica as convenções e limitações das instituições de arte, levantando debate. Isso é eficácia.

Agora vêm as pessoas sentindo a morte do cachorro. Um cachorro abandonado ou morto na rua não comove. Tudo é a troca de cenário.

Que demônios é a liberdade criativa? Te parece criativo matar de fome um cachorro? Várias organizações de proteção dos direitos dos animais estão organizando um grande protesto.

Contudo, arte não é para “fazer o bem” ou se “fazer o mal”. A arte registra. A arte se camufla.

É fácil expor nossas idéias politicamente corretas e ficar posando de herói, Somos entendidos de arte - essa forma que tem os artistas de ver as coisas da arte está protegida, e sempre estará, pela instituição de arte.

Já que se buscava uma grande ruptura, porque tiveram o cuidado de retirar o seu cadáver? Porque não o deixaram ali aguardando seu apodrecimento?

Guillermo Vargas Habacuc, o artista, tem em casa quatro cachorros vira-latas que ele cuida como se fossem de raça.

FABRICIO

*esse texto é uma colagem.


http://www.marcaacme.com/blogs/analog/index.php/2007/08/22/5_piezas_de_habacuc

http://www.elpais.com/articulo/ultima/Respeto/elpporopi/20071016elpepiult_2/Tes
http://www.petitiononline.com/13031953/petition.html
http://caoquemorde.blogspot.com/2007/10/co-morre-de-fome-em-exposio.html
http://www.interney.net/blogs/inagaki/2007/10/17/o_cachorro_que_morreu_de_fome_em_nome_da/


17 comentários:

Heyk disse...

E a merda é essa: Dá dó! Porra, fiquei aqui respeitando muito a obra, respeitando muito o fabricio pela postagem, respeitando muito o conceito em questão, mas morrendo de dó! Que coisa.
Mas enfim, e o Artista, o Guillermo foi selecionado pra ir pra bienal da américa latina acho. Por causa desse trabalho.
Num sei quem talvez o duchamp, ou outro desses aí, fez uma dessa uma vez. Quis pôr um bicho, não deixaram, aí ele se expôs. Comia e tal lã na exposição. Aí tiraram ele. Mas caramba, como o estranhamento de ambiente pode causar tanta diferença na compreensão de uma cena.
Tô sem ter o que dizer temporariamente.
Mas acho que a gente tem que "matar cachorro" mesmo. Sempre.

Vini disse...

Ridiculo o que esse cara fez. A questão das pessoas se chocarem não é a mera mudança de cenário mas é pq o cara teve o trabalho de pegar um cão só pra deixar ele morrer. Fez o que ele mesmo criticava:

(catado de um dos links)...
Diante da polêmica que certamente desejava causar, Guillermo Vargas Habacuc afirmou: "O importante para mim era constatar a hipocrisia alheia. Um animal torna-se foco de atenção quando o ponho em um local onde pessoas esperam ver arte, mas não quando está no meio da rua morto de fome". E arrematou: "O cachorro está mais vivo do que nunca porque segue dando o que falar"....

Não importa se era vira lata ou não, doente ou não ou qq outra coisa. Tudo bem que frequentemente pode-se ver cachorros fudidos de doenças e fome e não fazemos nada...mas já q se deu o trabalho de pegar, pra q deixar morrer? Pra mostrar nossa hipocrisia?! Da pra realizar uma obra com o mesmo conceito sem ter que matar animal, com certeza tem como. Matar ou deixar foi a grande merda do artista e do público.


Gostei da colagem e da contradição do texto. Tb acho o tema legal. Mas trabalhado de outra forma seria melhor.


beijos

Fabricio disse...

É exatamente isso: "dando o que falar"

O fato dele ter tirado o cachorro "só pra deixar ele morrer" não exclui a importancia do fator cenário. Que na verdade é mais indício que constatação.

Vini, não dá pra realizar a mesma obra sem matar um cachorro.

Vini disse...

Com o mesmo tema tem como fazer sim ... menos impactante claro, pois não teria como o cachorro "ir morrendo", mas dava pra enganar é só pensar direitinho, as pessoas pensariam que era um cão morrendo e tal...eu acredito maninho. O choque seria o mesmo.

Victor Meira disse...

Ceci n'est pas un chien?

Philippe (bacana) disse...

gente, o cara q o Heyk cita q tb quis fazer isso foi o Antonio Manoel, portugues que viveu maior parte da vida no Brasil. seu trabalho chegou a mais gente na decada de 70 com mil e uma instalaçoes que vão desde a exposição viva (ele usava bodes) até expor matrizes de jornais que nunca foram publicados, já que ele trabalhava num jornal popular q nao sei qual.
procurem por coisas dele, vale a pena abraço!

Heyk disse...

o problrma 'e outro ainda. O cachorro, doente, s~ao, ou qualquer outra coisa est'a no meio e sobrevive com suas for'cas at'e o 'ultimo minuto. Quando o artista impossibilita o bicho de comer a'i privou ele da vida. Se o bicho fosse morrer dois dias depois ele morreria ao natural. 'E diferente de c'arcere seguido de morte. Isso foi o que eu e a caroll constatamos. 'E crime grave. O bicho n~ao morreria de nenhuma forma por si s'o. Doente ou n~ao ele ca'ca comida.
Mas, enfim, nem seise fui claro. Talvez, j'a que foi discutida a possibilidade de uma obra parecida: p^or o cachorro j'a morto seria uma forma. Imagina, um cad'aver l'a. OU at'e mesmo um cachorro muito doente que j'a tivesse a certid~ao de 'obtido batida por um veterin'ario que mesmo sendo alimentado durante a exposi'c~ao morreria no durante. A'i eu acho bom. Mas cortou meu coracebo o cahorrinho. Os mortos da favela da cor'eia n~ao, mas o cahorrinho. Eu s~o muito hip'ocrita mesmo.
E no mais eu acho 'otimo.
Mas tem um coisa que Discuti com a gisele calamara esse find que 'e real. O cara t'a buscando o movimnto inverso do que est'a se pensando em arte hoje.
Isso o dali, o duchamp, essa turma j'a faziam. de colocar o alheio a arte como arte pra assustar. Isso 'e velho. O que est'a se buscando hoje 'e o inverso 'e colocar a arte junto ao alheio pra buscar rea'coes. ;E buscar a dissolu'c~ao da arte do cotidiano. E isso eu tbm quero.

Tiago de Paula disse...

não é que eu tenha que gostar de arte. é que eu tenho q ser afetado da maneira que for. no caso dessa obra (na bahia fazer uma obra é cagar, fazer merda tipo: "vô ali fazer uma obra...") eu fui realmente afetado pelo incomodo que dá imaginar que o tal cachorro morreu, ou passou fome ou seja lá o que for. pronto isso já foi e não quero continuar me relacionando.

Fabricio disse...

O texto do cachorro acabou virando música.

Veja na foto do último show:
http://www.flickr.com/photos/julia_terayama/1806176097/

em breve sai um mp3 disso.

Heyk Pimenta disse...

gente,
mas tá lá nesse flog a música?
ou só tem a foto?

caramba.

é isso. a gente chora, reclama e depois faz música.

esse é o processo de matar o cachorro mesmo, acho até bom.

Fabricio... disse...

boas novas sobre o cão:
http://www.nacionapache.com.ar/archives/1862

Renata Perfeita disse...

Olha gente eu vou ser cincera, eu particularmente adoraria pegar esse merdinha de artista se é que podemos o qualilicar com artista sem ofender os verdadeiros artistas; prende-lo numa cileira de ferro, em 1 restaurante e deixá-lo morrer de fome vendo as pessoas se banqueteando e se deliciando com as comidas mais deliciosas do mundo.
Ele assim teria um fim que merecia.

Renata Perfeita disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

Não justifica a morte do cão pela Arte, este homem que fez isto é um covarde.Talvez o cão tivesse alguma chance de sobrevivencia se estivesse na rua. Ali onde ele estava, foi uma execução cruel .
ISTO NÃO É ARTE.

Anônimo disse...

Então se essa acção serviu para chamar a atenção das pessoas para a sua propria hipocrisia, no que toca a animais, vamos fazer o mesmo com um mendigo, pegamos nele e tal como essa coisa que se denomina artista fez deixamos o mendigo morrer de fome pa que todos se foquem na sua hipocrisia em relação a humanidade, que no que me diz respeito não é mais importante do que a vida animal e assim por diante vamos por nos a matar indirectamente pessoas e animais ate que a hipocrisia se esvaneça..... simplesmente não tem sentido... e porque não em vez de um cao da rua não faz agora uma exposição com um dos cães dele???
E o que me deixa mais estupefacto é haver pessoas que arranjam meios por muito inteligentes que sejam de concordar com o que esse atrasado mental sem pinga de respeito pela vida animal fez....
é triste ver comportamentos destes hoje em dia, quando desde ha centenas de anos existem pessoas que lutam para que os animais tenham a mesma oportunidade de felecidade e justiça no curto espaço de vida que têm, com o dinheiro que esse atrasado mental tem fazia melhor figura em dedicar a vida a resgatar animais abandonados e dar lhes o carinho e amor devidos.....
Mas claro que como ele é artista tem toda a razão do seu lado eu deixo a perguntza e se não tivesse sido o dito artista e se fosse antes uma pessoa comum, como reagiriasm a situação??

Nathalia disse...

esse homem que se diz um "artista" e um otario sem sensibilidade ou humanidade... como pode isso acontecer , nenhum frequentador da galeria teve coragem de denunciar ou soltar o cachorro?

o " artista" Guillermo poderia criar polemica com uma obra de arte retratando a hipocresia da sociedade com pinturas ou escuturas montagens ou colegens, fotos...mas com a vida nao se deve brincar....

no minimo esse palerma tinha que ter uma puniçao. Nao a argumento ou justificativa para um ato tao monstruoso e de mal gosto como esse....

daqui a pouco ele ira amarrar uma criança angolana em sua esposiçao para mostrar a fome e a miseria da africa e dira q e arte.....

e facil causar o sofrimento em um cachorro para mostrar alguma coisa... isso nao e arte isso e puro desvio de conduta e moral...

Anônimo disse...

Por que nao:)