18.5.11

Manual de



Manual de invenção é uma intervenção que veicula em pôster arte possibilidades de interação do cidadão com os espaços públicos e objetos do meio urbano, propondo com os pôsteres outra relação com a cidade através de sugestões lúdicas. Em cada obra estarão amalgamados poemas curtos e imagens elaboradas com técnicas diversas que serão feitos no espaço público, em tempo real, e após sua feitura, as obras serão copiadas e deixadas/fixadas nas proximidades dos objetos a que se referem e pela cidade, convidando pessoas a visitar e jogar o "jogo" proposto. Em cada ocasião pelo menos um pôster inédito será elaborado.

Passaremos por 13 cidades do estado de São Paulo, as regiões de Santo André, Piracicada e minha saudosa campinas, região onde fui criado dos 4 aos 18 anos.

artista visual Cassia Lyrio [http://cassialyrio.wordpress.com]
poeta Heyk Pimenta [http://heykpimenta.blogspot.com]

17.5.11

Papo Poético!



18.4.11

Processos integrados de desconstrução do isso

Um, dois, respira. Isso, língua no céu da boca, dentes em contato e..., sim, uma arcada em desalinho, mas ainda são dentes. Vai,vai,vai... Puxe o ar lentamente, em profundidade e traz com ele o que for seu, ou o que julgar seu. Foi. Agora solte o ar... Não, narinas não. Pela boca, como se um alívio, como se um deságüe, vai jogando fora, foca bem, vai... Imagina um descarrego, um banho de mar. Tá, pode ser um banho de rio, de cachoeira, água gelada tocando a pele e pá, um lance, um calafrio, toda uma coisa (...), soltar o ar é jogar o lixo fora, é deixar ir. Vai, nêga! Continua no inspira- expira. Sente o corpo, comece a movimentar os braços. Agora os ombros, agora a cabeça, agora as pernas, agora os dedos do pé, agora tudo junto e (...). Agora pula e concentra e vai... Não perde o foco na respiração. Olhos fechados, sentindo o espaço, mergulha. Cuidado com os cantos da mesa à sua esquerda. Sem medo, um, dois, três respira si fu xi pá! Mais alto, bem mais alto, pulando e xingando. Puta que o pariu seu filha da puta do caralho vai se foder e ganhar mal a vida toda, ser explorado, sacaneado, mal comido! É... Aqui ó! Sim, claro, pode xingar mais. Sim, pode ser sua mãe. Wow! Perfeito! Agora imagine que está brigando num bar e dê socos imaginários no ar, alveje uma vítima e comece. Vai, um golpe de cada vez, cuidado para não apanhar. Respira! Segura! Cuspa na vítima! Vai, mais uma vez! Isso, um, dois, três, língua no céu da boca. Um, dos, três, peça desculpas e se arrependa. Vai, nêga!Trabalhando o perdão, a resignação. Pague a conta toda. No processo - no fluxo contínuo da vida (...). Abrindo os olhos devagar. Calma, pode chorar à vontade. Me abrace.

Bem, voltando aos dentes... Sabe que representam uma deficiência de baço? Sim – na medicina chinesa dentes representam a estrutura da pessoa e a forma com que ela digere, filtra as informações. Ó, fazendo uma análise sígnica rápida dos seus dentinhos, diria que você tem problemas com o mundo. E digo mais, tem prisão de ventre!Você tem apego demais às coisas e situações e tem a necessidade que te tratem como se fossem sua mãe ou pai. Você curte ser maternalizada e repete esse padrão com todos ou ao menos tenta (...). Querida, você é infantil. Como acertei? Ah, nêga, o corpo é um sistema integrado, orgânico. Se aqui não vai bem, desequilibra ali. Ninguém paga a conta sozinho. Ai, ai! Até segunda. Às oito.

6.4.11

Projeto Pálpebra


A festa do Overlei de março, lá no Zé Presidente, trouxe a exposição do projeto Pálpebra, que provocou o público com composições que mesclavam poesia e poster art.

Nas palavras viu-se desde o deslumbre bucólico e o questionamento das coisas fundamentais, por vezes com ares clássicos e virtuosos, até o total inverso: o tapa na cara e o pé no chão sagaz da poesia de rua. Nas formas, o mosaico e a figura central como dominantes nas composições, com muito vermelho, preto e branco. As tipografias variavam do manuscrito à slabserif, buscando sintonia com o discurso falado da poesia.

O processo teve início com com os poetas, que criaram textos que apelavam para a voz não do som, mas da imagem. A partir de leituras, releituras, saraus e conversas, os esboços dos designers e ilustradores começaram a tomar forma. O grupo agiu desde o início com muita unidade, cada um influenciando diretamente nos processos uns dos outros, mostrando andamentos e idéias em crescimento. A proposta, desde o início, envolvia o princípio da produção em coletivo, em organismo.

Mais de 300 pessoas compareceram à festa e apreciaram a exposição. A presença dos poetas aqueceu muito a noite, com bate-papos e discussões sobre as poesias e obras em geral.

Pra quem não pôde ir à abertura, a exposição continua no Zé Presidente até o dia 6 de maio. No dia 20/4 (quarta-feira pré-feriado) rola o C.A.I. MAL lá no Zé Presidente, e estarão presentes os autores do projeto Pálpebra.

24.3.11

Diplomacia I

Na desértica divisa entre Bolívia e Chile há um ataúde.
Dizem que é de um turista; um jovem, que proibido de entrar no chile, sem poder voltar a uma cidade próxima, ali ficou.
Num inverno o encontraram sentadinho, abraçado a sua mochila, e congelado.

15.3.11

Boletinho de carna

Índice remissivo crítico, os jurados de morte. Pela janela de uma caixa. Ainda úmido. Juízo...

Não tem como não ver nem não dizer o que tristemente aconteceu recentemente na cidade; ah, sim, aconteceu! Tomamos, e que susto, do adisneyzado Paulo Barros, na sua oferta artística na Tijuca, ninguém testemunhou, mas ele foi que levou! Na fronteira entre o mal adulto e a boa criança, só assim é que vem, ora, e a garra de criança, ora! Picas! Acreditamos uma hora na televisão, ué, ainda que sem passar puro adiante nem receitar cramulhões de conteúdo, além das personagens e/ou das fantasias, água barata; o que se passam pelas cabeças, ao fim e ao cabo?! Pra fora também os cabelos falsos da Vila Isabel! Repetem-se vezes, movimento pericial e lágrimas; os guizos, os chocalhos de isca?! Toda balouçante. Mas quanta gente, fugida à cromática e eivada, confessada televisiva e dançada! Alguns muito poucos: é por verdade do que gostam! Queremos abusar de brincar na rua, ver e ser vistos, criar versos nessa hora. São crianças-guias vitimadas das mais diferentes formas, nos feriados, e pelos mais bestiais motivos, ainda que tudo se pareça violento, literatura de tragédias, numa japona aberta, sublevada, isolada né – numa operação circular e sem destino, trancada pelo zelo do estado careta-policial (aqui no Rio mais, no caso, alegria sem outra), na beca, como no beco do tipo os fios da pára-folia, os homens que tem nisso sempre parcelas ainda a nos pagarem, ou tremam todos! – e sem controle por aqui, de não caírem verbaneios nem ensolararem nem rosarem os dedos, um pum no isqueiro, se bobear, chamar pra brincar, juro, aperta aí que dá. Não falo nem encareço os blocos. Em pleno carnaval, ou antes um pouquinho, ou num estendidinho depois, mas, a valer chiar o apito, agora e sempre no clima armado dele, de folia imperante, preparadíssimo igualmente nos sacos e nas salas de espera do crime, passe a silêncios e sem estourarem, quase milimétrica ao militarmente, cabe, a tirar o suor na palma da mão, costurar a fantasia de desejos de marotice e paz com a mesma mão, agorinha mesmo beijar a testinha da criança, a recém. Abeirem-se aos corpos, gente, descontentem-se. Mas não morrerão tão cedo estes já passados, se, por mais, em suas dores cruéis e de criança, nota mil, não se esperam. Inevitável enredam. Escolinhas bobaginhas, manivelas de represas mirins. Dar tudo por uma empresa qualquer.

Ei-los, bífidos:

Uma criança, que ainda bebê de poucos meses, teve a mãozinha retirada pela vontade inexplicável de mais alguém. Incrível, como? Fossa e canaliza. Passou

Puxa outra, também bebê, que é deixada ao sabor da água desconfiada mas acolhedora de um córrego, bonita de rever a fundação de tudo, bocadura aconselhativa de mãe, alguém que a salve, ou nem precisaria, passando, dum outro alguém

Alguém que some com uma menina, mas como, ninguém vê, mágica, a não ser já o corpinho dela acabado abandonado num quarto cego de qualquer hotel novamente embalado já esquecido. Neblina falsa. E por acaso você viu borracha, caralhinho

Por descuido que é um vacilo filho-da-puta médico outra recém nascida tem a perna cortada e aí, nem sei, já viu a tristeza e o desconsolo, só

Tudo, acho, abre-ala, que começa ali no pré-carnaval, quando cai louco no rio um carro e a garotinha de colo salva pelo herói-bombeiro (numerão inicial sem esperar que se contem os tantos outros); mas ainda se pegava leve, o que estaria ou estará por vir

Não deu dessa vez, não deu tempo; ela, a menininha, morre antes de todas as outras, sim, é o que vou ter que contar, dias depois, na contagem fechada dos votos

E as outras duas alegrias parcas e econômicas na vida de alguém, mães, pais, irmãos e irmãs, famílias, lá trás, também eram meninas

Inacreditavelmente, uma quinze anos dá à luz no último dia de carnaval numa van parada na estrada, disse sem saber que estava grávida...

(((picas!)))

Como pena, ao investirem contra uma mão, lisinha de moça, diriam ainda que sairia água mentida de dentro...

Não. Foram meninas abusadas, sim. Foram muito. Vítimas do arranjo pouca-vergonha de papai momo. E quem sai torrencial pulando blocos pela tangente, o xixi na fralda impassível e chã.


Rod Britto – Rio de Janeiro, 2011 / Brasil. gratoporlembrar@gmail.com

25.2.11

Fim do Verão

As encostas têm apontado as lanças para as constelações de pássaros. Seus filhos testam a carga dos balcões , vão os aposentando por invalidez. As revoadas lançam charadas em ponto cruz, e a cada engasgo trazem nuvens quentes pelos bicos. Do ventilador virá a poeira, e cada vez menos os dias o alistarão. Promovido, se tornará o fator vivo de alguma bandeira nova que esticará as pontas em chicotadas, como a bandeira falsa da lua falsa de um pouso antigo no deserto do Arizona.

O Sol coleciona agora os já esquecidos feixes, que alimentam para os crentes nichos isolados de luz divina. As cores nublam suas malhas, a hora por pudor se castra e os dias já não são tão longos. O cristo vem pra ser um quadro cinza de mata, pedra e turistas cinza. As lojas se acanham, o funk empalidece e as avenidas vão fermentar cerveja.

Os patos, sendo mais pescoço do que rabo, tendem a voar de costas. E já não temos caçadores nem cães, e como eles, temos farejado bifes envenenados. O varal também testa sua energia e amontoa roupas esquecidas no que foram os parapeitos de um sonho.

Com as dicas e a fúria dirigida, o verão não se culpa pelo embasbacamento, mas prega roldanas e contrata elenco para que o puxem pelas pontas.